Os ministros das Finanças da zona euro vão começar a discutir esta quinta-feira, em Bruxelas, a estratégia de saída do programa de assistência da Irlanda, com Portugal a seguir atentamente o assunto, com vista ao seu regresso aos mercados, previsto para meados do próximo ano.

O Eurogrupo irá, como habitualmente, passar em revista a situação dos países sob programa de assistência, mas, desta feita, e de acordo com a agenda de trabalhos, o caso de Portugal não deverá ser discutido, pois os responsáveis das Finanças da zona euro já abordaram no anterior encontro o resultado das oitava e nona avaliações do programa de ajustamento português, entretanto validado pelo grupo de trabalho do Eurogrupo.

No entanto, Portugal, que estará representado na reunião desta tarde pela ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, seguirá com particular atenção a discussão sobre a Irlanda, país que se prepara para sair do respetivo programa (iniciado antes do português) e regressar aos mercados, no final do ano, já que as soluções que vierem a ser acordadas com Dublin poderão tornar-se um precedente e interessar também a Portugal.

Segundo um alto responsável do Eurogrupo, os ministros vão discutir a 12ª e última revisão do programa irlandês, concluída na semana passada, e a estratégia de saída da Irlanda do programa, que poderá passar ou por um programa cautelar ou pelo que é designado de uma «saída limpa» (sem qualquer apoio suplementar).

Embora não seja esperada alguma decisão já na reunião de hoje, até porque cabe ao governo de Dublin decidir se solicita ou não alguma forma de apoio para sair do programa e regressar ao mercado ¿ o que ainda não sucedeu -,

Portugal seguirá de muito perto esta discussão, tendo o próprio primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmado, na semana passada em Bruxelas, que está «muito atento ao que se vai passar», pois a solução que for encontrada para a Irlanda pode trazer «alguma utilidade prática» para quando chegar a vez de Portugal.

A reunião de ministros das Finanças europeus prosseguirá na sexta-feira, então já alargada aos 28 países da UE (Ecofin), com as atenções centradas numa discussão, que se prevê longa, sobre a criação do mecanismo único de resolução dos bancos.