1 - Os últimos meses de vida do BES: por mais retrospetivas, poucas certezas


O último aumento de capital
Duas dúvidas: a primeira é por que é que não foi travado, em maio/junho, se a situação já era bem complicada? A CMVM alega que não tem poder para impedir aumentos de capital; a segunda dúvida é o porquê e que fundamento teve a tranquilização pública do Banco de Portugal, Governo e Presidente da República sobre a situação do BES naquela altura. Muitos clientes queixam-se de terem sido induzidos em erro pelas principais instâncias do Estado e, com isso, a terem perdido tudo.
 
Resultados do primeiro semestre de 2014
Foram apresentados a 30 de julho, mas o Banco de Portugal assumiu que estava a trabalhar em planos de contingência para o BES desde o fim de semana anterior, a 26 e 27 de julho. Foi nesse período que teve conhecimento que os resultados iam ser muito maus. A confirmação final dos valores preliminares aconteceu a 28 de julho. No dia a seguir, o supervisor solicitou um plano de recapitalização privada ao BES, que não veio a ser apresentado, por falta de tempo. Ora, as ações só foram interrompidas na sexta-feira, dia 1 e a uma hora do fecho do mercado.

Telefonemas entre BdP e CMVM
Hoje, é-nos possível aferir que o Banco de Portugal não forneceu informações precisas à CMVM,quando aconselhou a suspensão das ações do BES. Mas também sabemos que a CMVM não fez perguntas para saber mais sobre a eventual fuga de informação. Isto espelha que a coordenação entre a supervisão e a regulação, em Portugal, não mostrou estar de boa saúde naquela altura.

 O regulador de mercado entende que «teria sido desejável» que o governador do BdP tivesse comunicado mais cedo aquela suspeita para «defender os investidores». Carlos Tavares reconheceu, contudo, que a «negociação anormalmente elevada» vinha desde um dia antes do telefonema da suspeição. E não atuou.
 
Já Carlos Costa assumiu que não contou à CMVM que ia avançar com a resolução, mesmo tendo-a já em mente. O BdP fechou-se na redoma da sua «competência» para ficar em silêncio.
 
O problema da ESI coloca outra dúvida: se o Banco de Portugal sabia desde novembro de 2013, porque é que não informou a CMVM? Carlos Costa devolve a pergunta: «E porque é que não se põe a questão ao contrário, sendo a ESI uma entidade não financeira, que não tem de ser supervisionada pelo Banco de Portugal?». Isso seria, argumenta, competência da CMVM. Mas foi o BdP que esbarrou nela «por acaso», no âmbito do ETRICC2.
 
Ameaça do BCE
Uma das datas cruciais para o desfecho do banco foi a ameaça do Banco Central Europeu em retirar o chamado estatuto de contraparte. O governador do Banco de Portugal recebeu o ultimato por telefone, na quinta-feira à noite, dia 31 de julho. O que Carlos Costa terá conseguido negociar foram 48 horas (o fim de semana) para o banco abrir portas na segunda-feira, 3 de agosto, já rejuvenescido. E foi mesmo assim: virou o mês, nasceu o Novo Banco.

O supervisor europeu terá feito finca-pé a um prazo tão curto, por causa da fuga de depósitos que se estava a verificar no BES. Só nas duas últimas semanas de vida, perderam-se 6 mil milhões de euros.
 
A verdade é que os deputados nunca conseguiram ouvir o presidente do BCE, Mario Draghi, que não respondeu por escrito à comissão, como foi requerido.


2 - Quem andou a vender «massivamente» ações do BES nos últimos dias? E porquê? Com que dados?







3 - Como é que a garantia de Angola pôde cair sem mais nem menos?









4 - Eurofin: um esquema difícil de compreender, mas que dava muito jeito ao GES







5 - Novo Banco: nasceu para ser vendido, não se sabe por quanto e a que custo