O presidente da Comissão Europeia disse esta terça-feira que a União Europeia está a tentar unir esforços para combater o desemprego jovem, mas defendeu que grande parte do sucesso de iniciativas como a Garantia Jovem está nas mãos dos Estados-membros.

Discursando na abertura de uma conferência de alto nível sobre a Garantia Jovem, que se celebra em Bruxelas um ano depois do seu lançamento, José Manuel Durão Barroso sublinhou a importância desta e de outras iniciativas tomadas a nível europeu, mas vincou que «o ponto crítico situa-se ao nível dos Estados-membros», e, designadamente, da sua implementação no terreno.

«O que podemos fazer, e estamos a fazer, é criar esta prioridade política, tentar juntar esforços, ao nível nacional e europeu, e às vezes também internacional, mas a chave do sucesso (das iniciativas) está na implementação. Na forma como as nossas administrações nacionais, com os recursos que têm, incluindo aqueles que pomos ao seu dispor, podem de facto implementá-las no terreno», sustentou.

Durão Barroso disse estar «realmente convencido de que o sucesso da Garantia Jovem depende em grande parte da sua apropriação partilhada por parte de todos os atores que envolve», do compromisso político e da prioridade que lhe é dada por governos, parceiros sociais, partidos políticos e outras partes interessadas.

«Deve ser um processo que mobilize todos os atores que envolve», enfatizou.

Durante a sua intervenção, o presidente do executivo comunitário voltou a sublinhar a gravidade do fenómeno do desemprego jovem na Europa, classificando-o como «um dos maiores problemas existenciais» que a União Europeia (UE) enfrenta, pois o grande desafio é «não ter uma geração perdida na Europa».

A conferência de hoje celebra-se um ano depois do lançamento da Garantia Jovem, um programa proposto pela 'Comissão Barroso' e dotado com seis mil milhões de euros, destinado às regiões onde a taxa de desemprego jovem seja superior a 25%, que visa garantir que os jovens até aos 25 anos desempregados há quatro meses tenham acesso a um trabalho, estágio ou programa de formação.

Na semana passada, por ocasião dos mais recentes dados sobre o desemprego na UE, pelo gabinete oficial de estatísticas, o Eurostat, o comissário europeu do Emprego, László Andor, «anfitrião» do evento de hoje, sublinhou a necessidade de se intensificar os esforços para combater o desemprego, sobretudo entre os jovens, dado os números continuarem a ser extremamente elevados.

Os dados do Eurostat revelam que, em relação a Portugal, a taxa de desemprego se manteve em fevereiro nos 15,3%, face a janeiro, tendo subido entre os jovens (com menos de 25 anos) de 34,6% para 35%, um dos valores mais elevados da UE.

Apontando que, «apesar dos tímidos sinais de retoma, o desemprego continua a um nível desconcertante», atingindo quase 26 milhões de pessoas na Europa, das quais 5,4 milhões são jovens, o comissário do Emprego reconheceu novamente que a recente recuperação económica «ainda não está a ser capaz de criar postos de trabalho» e as divergências a nível social e de emprego continuam a ser pronunciadas «entre os países do centro e da periferia da UE, em particular da zona euro».

A 10 de março passado, à margem de uma reunião de ministros do Emprego e Assuntos Sociais da UE, o ministro português da Solidariedade, Pedro Mota Soares, indicou que o programa de apoio ao emprego Garantia Jovem já abrangeu 63 mil pessoas desde janeiro e que o executivo pretende chegar a um total de 378 mil, em 2014 e 2015.