O presidente da Comissão Europeia disse hoje que os resultados das europeias são também consequência da crise, que considerou ter sido o «maior teste de "stress" de sempre» à UE, e defendeu uma análise profunda em vez de leituras simplistas.

Referindo-se ao crescimento dos movimentos populistas e de extrema-direita nas eleições de domingo, Durão Barroso disse que este tem causas mais profundas na UE, como o desemprego e o sentimento contra os estrangeiros, e que foi acentuado pela crise que atingiu a Europa.

«Certamente, [a crise] foi o maior teste de "stress" de sempre para as instituições europeias», disse Barroso, no fórum do Banco Central Europeu (BCE), que decorre num hotel em Sintra, próximo de Lisboa.

O presidente da Comissão Europeia, que está a terminar o seu último mandato, afirmou estar «muito preocupado com as tendências» que os resultados das eleições para o Parlamento Europeu sinalizaram, mas recusou leituras simplistas do que se passou.

«São fatores muito complexos, é difícil encontrar um fator que explique», disse Barroso, que considerou que não é possível «criar simplificação para uma situação complexa», depois de as eleições europeias terem demonstrado um ressurgimento dos movimentos populistas e mesmo de extrema-direita.

As eleições europeias de domingo revelaram um crescimento dos partidos de extrema direita e eurocéticos.

Em França, a Frente Nacional de Marine Le Pen foi o partido mais votado, com cerca de 25% dos votos, e outra formação eurocética que venceu as europeias foi o Partido Independentista do Reino Unido (UKIP), de Nigel Farage, que conseguiu 30% da representação do país.