O presidente da Comissão Europeia disse esta terça-feira em Bruxelas, após um encontro com o primeiro-ministro grego, que já «há luz ao fundo do túnel» para a Grécia, como o demonstram os mais recentes dados económicos, que considerou «encorajadores».

Também o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, considerou que a Grécia está a «reverter a tendência» e que «os esforços do povo grego estão a produzir resultados tangíveis», exortando por isso os seus «aliados» da zona euro a atuarem em conformidade, apoiando Atenas nos seus esforços de reformas e consolidação das contas públicas para o regresso ao crescimento e emprego.

Numa conferência de imprensa conjunta com Samaras após uma reunião dedicada a discutir a futura presidência grega da União Europeia (no primeiro semestre de 2014), assim como os desenvolvimentos na economia grega e na implementação do programa de ajustamento, Durão Barroso saudou o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido na Grécia e que, na sua opinião, «já está a dar resultados positivos», contrariando os vaticínios dos «catastrofistas».

«Sei que os cidadãos gregos estão a viver em circunstâncias extremamente difíceis, mas acredito que agora podemos dizer que há luz ao fundo do túnel», declarou o presidente do executivo comunitário, apontando que se espera «um regresso gradual ao crescimento em 2014, após seis anos de recessão», os juros caíram desde o seu pico em junho de 2012, o sentimento económico melhorou, o défice tem vindo a ser reduzido, e a dívida vai começar a cair no próximo ano.

«Todos estes são sinais encorajadores, quando se pensa nas dúvidas que foram expressas há algum tempo», afirmou, referindo que, «há um ano, os catastrofistas diziam que a Grécia teria de sair do euro», mas, graças à determinação das autoridades e do povo grego, não só esses prognósticos se revelaram errados, como há mesmo «melhores sinais para o futuro».

Durão Barroso enfatizou todavia que não é altura de diminuir os esforços, «mas sim arregaçar as mangas», pois é necessário prosseguir a consolidação orçamental, a implementação do programa de ajustamento e acelerar as reformas estruturais, e disse que o primeiro-ministro grego lhe reiterou, «uma vez mais», o claro compromisso do Governo de Atenas nesse sentido.

Também Samaras afirmou que a Grécia voltou ao «caminho certo», dando como exemplo o facto de, pela primeira vez, as previsões económicas a meio do ano terem sido revistas em alta, e asseverou que a Grécia continua empenhada em cumprir todas os objetivos com os seus parceiros.

Nesse sentido, disse, se houver necessidade de um (muito antecipado) apoio suplementar, no final do atual segundo resgate, o mesmo «deve respeitar» a deliberação do Eurogrupo de novembro passado, pois, ao honrar os seus compromissos, a Grécia «merece a ajuda dos seus aliados», e defendeu que não serão necessárias mais medidas de austeridade, mas apenas intensificar «reformas estruturais com impacto positivo a nível orçamental».

Questionado sobre o mesmo assunto ¿ a eventual necessidade de um terceiro programa de assistência a Atenas -, Durão Barroso disse não querer alimentar «especulação» nem tão pouco antecipar-se às conclusões da missão da troika atualmente em curso, salientando antes que, acima de tudo, «não é altura de pôr em questão os resultados alcançados», até porque um elemento chave para que a Grécia e outros países sob programa voltem ao crescimento é a confiança.

«Vimos em diferentes países que, quando há dúvidas sobre a determinação na implementação do programa, imediatamente há consequências em termos de confiança dos mercados e investidores. Pelo contrário, quando há sinais e ações concretas, os mesmos são recompensados», salientou.