O presidente francês, François Hollande, condenou hoje como "moralmente inaceitável" o novo emprego do ex-presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, no Goldman Sachs.

"Não é sobre a Europa, é sobre a moralidade. Legalmente, é possível, mas moralmente, moralmente é inaceitável."

O banco de investimento norte-americano anunciou, na semana passada, a contratação de Durão Barroso como presidente não-executivo da instituição e consultor, num momento em que o setor financeiro foi abalado pelas dúvidas sobre a saída do Reino Unido da União Europeia e com vários processos de recapitalização em curso, como o italiano ou o banco público português Caixa Geral de Depósitos. 

Logo um dia depois de conhecida a notícia do novo trabalho de Barroso, e a seguir ao próprio ter dito que "é-se criticado por ter cão e por não ter", vários políticos franceses tinha já manifestado a sua discordância. Entre eles, o secretário do Comércio, os eurodeputados do PS francês e a presidente da Frente Nacional, Marine Le Pen. Depois, a crítica de tom reprovável vinda do secretário de Estado dos Assuntos Europeus, que classificou a situação de "escandalosa"

Além da chuva de críticas internas, da Europa também já chegaram várias vozes acusadoras. O comissário europeu para os assuntos Económicos e Financeiros, Pierre Moscovici, fala em falta de "ética". O governo francês pediu mesmo para que Durão não assuma aquelas funções, dizendo que é "o pior serviço que pode prestar à Europa".

E também o sindicato Renovação e Democracia, um dos que representam funcionários das instituições europeias escreveu esta quinta-feira, numa carta aberta, que Durão Barroso deveria ter recusado, em nome da “decência”, o convite do Goldman Sachs.

“Os funcionários desta instituição a que presidiu durante dez anos são também vítimas da sua decisão, que só teve em conta os seus interesses privados, enquanto a simples decência nunca deveria levá-lo a aceitar tal função”