O presidente da Comissão Europeia pediu esta quarta-feira esforços a Atenas no cumprimento do programa de assistência financeira mas insurgiu-se contra os que criticam a Grécia «com base no preconceito», afirmando que o executivo comunitário sempre a apoiou.

Numa conferência de imprensa conjunta em Atenas com o primeiro-ministro da Grécia, Antonis Samaras, após um encontro bilateral no âmbito do lançamento da presidência grega da União Europeia, Durão Barroso sublinhou que é preciso «não desperdiçar os esforços feitos até agora».

No mesmo sentido, o chefe do executivo comunitário referiu que «ainda há nuvens no horizonte» e que a situação grega «ainda é frágil», mas que este «não é o tempo para desacelerar as reformas», pedindo o empenho de Atenas ao nível da fiscalidade ou nas privatizações.

«A Comissão Europeia continua a apoiar a Grécia nos esforços para um futuro melhor, enquanto outros tiveram dúvidas sobre a Grécia, a Comissão esteve sempre ao seu lado, mantemo-nos leais a essa posição», afirmou.

Neste contexto, José Manuel Durão Barroso exortou «a Grécia moderna» a, durante a presidência rotativa da União Europeia, «mostrar as lições que aprendeu com a crise» e, tal como a Grécia Antiga, «dar um grande contributo para a Europa».

Já nas respostas aos jornalistas, o chefe do executivo comunitário voltou a sublinhar «as importantes contribuições que a Grécia deu no passado e em anteriores presidências» à Europa para contestar os que criticam aquele país no momento em que assume a liderança rotativa dos 28 Estados-membros pelos problemas na execução do programa de assistência financeira.

«Os que acreditam que a Grécia não pode ter uma presidência com sucesso, fazem-no com base no preconceito», considerou.

Depois, Barroso advogou que a Grécia teve dificuldades adicionais e específicas no início do seu resgate financeiro, em 2010, «que não aconteceram noutros países».

«É verdade que o programa na Grécia tem passado por mais dificuldades do que noutros países, mas isso acontece por várias razões, a situação na Europa tornou-se no início do programa mais difícil, houve um fator de contexto, houve crises políticas na Grécia, não podemos esquecer isso, houve eleições antecipadas e debates sobre possíveis referendos e questões politicas que complicaram a situação, quando [a Grécia] devia estar totalmente concentrada na estabilidade», afirmou.

O presidente da Comissão Europeia referiu ainda que houve «muitas vozes de fora que falaram na saída da Grécia [do euro], tornando mais difícil a tarefa», com «um efeito nos mercados que tornou ainda maior o problema» de «dívida excessiva e de competitividade».

«Todos os países já tiveram momentos bons e menos bons, mas a Grécia tem tantas condições como qualquer país, a ideia de que uns países são melhores que outros é precisamente uma ideia antieuropeia, há países que são ricos e pobres, mas já foi diferente no passado, há países que são maiores e outros que são mais pequenos, mas todos têm a mesma dignidade», defendeu.