
O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, defendeu esta terça-feira em Bruxelas que «não seria sério», e seria mesmo irresponsável, aconselhar os países sob assistência financeira, como Portugal, a «relaxarem» os esforços de consolidação orçamental.
«Francamente, acho que seria absolutamente irresponsável aconselhar esses países a tentar restaurar crescimento aumentando o seu défice. O que aconteceria imediatamente, se se fizesse isso, é que esses países pagariam taxas de juro muito mais elevadas, pelo que o dinheiro que precisam para os seus serviços públicos, para a coesão social e para o investimento seria usado para pagar taxas de juro mais altas», disse, citado pela Lusa.
Durão Barroso falava numa conferência de imprensa conjunta com o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, na qual a Comissão apresentou a sua mensagem para o «Dia da Europa» (que se celebra a 9 de maio), centrada na necessidade de serem adotadas medidas para promover o crescimento na União Europeia.
Questionado sobre se considera que a austeridade que está a ser levada a cabo na Grécia, Irlanda e Portugal (os países sob programa de ajuda externa) é «amiga do crescimento», o presidente do executivo comunitário defendeu que a consolidação orçamental é inevitável, por muito dolorosa que seja, e advertiu que para estes países não há alternativa.
«Relativamente ao crescimento e consolidação, a minha resposta é clara: precisamos de ambos. E, de facto, o processo de consolidação orçamental é indispensável nalguns países, que têm níveis elevados de dívida. Não há alternativa senão a estrita implementação das medidas de consolidação», adiantou, acrescentando ter noção de que os ajustamentos são «dolorosos» e não apresentam resultados a curto prazo.
Apontando que a Comissão olha para cada país aceitando o princípio de diferenciação e atendendo à situação específica de cada um - tal como será refletido nas recomendações que Bruxelas fará a cada um dos 27 Estados-membros a 30 de maio -, Durão Barroso insistiu todavia que os países sob ajuda externa não têm outra opção.
«Os países sob programa não têm alternativa - a não ser um incumprimento desordenado, que não é uma alternativa - senão prosseguir medidas de consolidação orçamental corajosas, reformas estruturais para a competitividade e, claro, beneficiando da solidariedade europeia, (apostar em) alguns investimentos dirigidos, mas que possam trazer crescimento, porque nem todo o investimento público traz crescimento», disse.