O Banco Central Europeu manteve a taxa de juro de referência em mínimos históricos. Na habitual conferência de imprensa, às 13:30, o presidente da instituição, Mario Draghi, confirmou esta manutenção.

A reunião de hoje determinou que a taxa de juro de referência se mantivesse inalterada, em valores mínimos, e que deva permanecer assim por um período longo de tempo”, disse Draghi.

Naquela que foi a primeira reunião do Banco Central Europeu depois de 23 de junho, data em que o Reino Unido votou pela saída da União Europeia, Draghi afirmou que o BCE vai continuar atento as alterações do pós Brexit. Para já não há decisões.

O presidente do banco central elogiou a atitude do setor financeiro depois do desfecho do referendo que trouxe instabilidade aos mercados. Uma volatilidade que só foi possível controlar com as medidas de monotorização, com a vontade manifestada por todos os reguladores do setor – no sentido de assegurarem o financiamento necessário à economia - e com a política de regulação do BCE, afiançou o responsável.

E se a manutenção dos juros eram esperados, os analistas tinham alguma expetativa sobre as orientações que Draghi poderia dar para o pós Brexit.

Mas o presidente do BCE foi contido, deixando claro que é preciso olhar atentamente, ao longo dos próximos meses, para o processo negocial que agora se inicia.

Ainda não temos informação para tomar decisões”, disse.

Draghi prefere esperar por Setembro, já com novas previsões para evolução da economia da Zona Euro e da taxa de inflação em cima da mesa.

Até agora a Comissão Europeia espera que o crescimento da Zona Euro possa sofrer uma perda de 0,2 pontos percentuais, quando Draghi tinha apontado para descidas que poderão chegar aos 0,5 pontos este ano, na sequência do Brexit.

Com uma Europa que continua a crescer, sobretudo, em função do consumo interno, Draghi reforça a importância de “medidas estruturas para aumentar a produtividade” e políticas “para estimular o investimento e a criação de emprego”.

Banca portuguesa: "Não diria que há risco mais BCE está atento"

A política monetária faz uma parte e os países têm que fazer a outra. Foi assim que Mario Draghi respondeu quando confrontado pelos jornalistas sobre se partilhava das preocupações do Fundo Monetário Internacional em relação aos malefícios do setor da banca, portuguesa e italiana, para o crescimento global.

Além da política monetária – conduzida pelo BCE – “são preciso outras medidas – e a exposição de alguns bancos é muito relevante – não diria que há um risco mas tem que se lhe dar atenção”.

"É um problema complexo e termos que voltar lá”, acrescentou o responsável.

Ao longo do discurso Maro Draghi fez questão de deixar claro que, qualquer que seja a situação com que a Europa de confronte, o BCE atuará “utilizando todos os instrumentos que temos disponíveis” e fez questão de frisar que “os banco estão hoje muito melhor do que estavam em 2009”. “Hoje o problema [dos bancos] é mais de rentabilidade do que solvabilidade”, concluiu.

Draghi recusou comentar quaisquer sanções a Portugal e Espanha, no âmbito do procedimento por défice excessivo. Disse apenas que "é uma tema e uma responsabilidade da Comissão".

Bancos da zona euro enfrentam problema de rentabilidade 

O presidente do Banco Central Europeu afirmou também esta quinta-feira que o principal problema dos bancos da zona euro neste momento não é de solvência, mas de rentabilidade.

"Quanto à solvência, os nossos bancos estão melhor, ou até muito melhor do que estavam antes", afirmou Draghi na conferência de imprensa realizada após a reunião de política monetária do BCE.

 

"O problema que temos de enfrentar agora é a fraca rentabilidade, não é um problema de solvência", adiantou.

Draghi disse ainda que os créditos malparados constituem "um problema significativo para a capacidade de os bancos concederem empréstimos" ao setor privado na zona euro.

Para resolver essa situação, o presidente do BCE afirmou que uma medida de apoio público "seria muito útil", na condição de ser negociada com a Comissão Europeia.