O presidente do conselho europeu, Donald Tusk, afirmou numa entrevista publicada esta segunda-feira que aumentou o risco de uma «saída acidental» da Grécia da zona euro, cenário que «é estúpido» e deve ser evitado.

«Agora estamos um pouco ameaçados pelo chamado Grexident (uma saída acidental da Grécia da zona euro). Temos de evitar um cenário tão estúpido, porque demasiados acontecimentos na História europeia ocorreram por acidente», disse Tusk, numa entrevista a seis jornais europeus, entre os quais o espanhol El Pais e o francês Le Figaro, nota a Lusa.

O problema com a Grécia, considerou, não é apenas financeiro, «mas também uma questão geopolítica», uma vez que no atual contexto, marcado por uma situação «grave» na Líbia e «frágil» nos Balcãs, Moldova ou Chipre, «perder a Grécia abriria o capítulo mais dramático da história da União Europeia».

Por essa razão, disse, a ajuda à Grécia «é indiscutível».

A expressão usada por Donald Tusk (‘Grexident’) recupera a ideia evocada na semana passada pelo ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, de uma «saída acidental» da Grécia do euro. «A Europa está prestes a ajudar a Grécia, mas a Grécia deve deixar-se ajudar», disse à televisão austríaca ORF.

Donald Tusk frisou na entrevista a importância de «excluir qualquer ideia de uma saída deliberada” da Grécia da moeda única, que “não traria nada de bom», mas advertiu que «não se pode humilhar a Grécia».

Questionado sobre se pensa que a Grécia está a ser humilhada, Tusk respondeu negativamente, mas disse saber «que muitos gregos se sentem humilhados».

Tusk criticou por outro lado certos comentários feitos pelo novo Governo grego, dizendo que o «irritam», e que compreende «especialmente os políticos alemães, porque na maioria das vezes são eles os visados».

«Temos de evitar tudo o que possa humilhar a outra parte. A dignidade e a humilhação são muito importantes em política, não são só os números», disse.