A Grécia deve aos credores oficiais 242,8 mil milhões de euros. As contas são da Reuters e mostram que a Alemanha é, de longe, a maior credora de Atenas.
 
O valor inclui os empréstimos feitos ao abrigo dos dois resgates desde 2010, que ascendem até agora a 220 mil milhões de euros, dos quais uma parte foi paga, bem como obrigações do Tesouro grego detidas pelo Banco Central Europeu e pelos bancos centrais nacionais dos países do euro.
 
Os investidores privados detêm 38,7 mil milhões de euros em obrigações gregas, depois do perdão parcial de 2012, que reduziu a dívida grega 107 mil milhões.
 
Além disso, o Estado grego emitiu também 15 mil milhões de euros em Bilhetes do Tesouro (dívida de curto prazo), a maioria dos quais foi colocada junto da banca grega.
 
Isto significa que muitas instituições perderiam grandes quantias de dinheiro, se a Grécia entrasse de facto em bancarrota.
 
Por exemplo, dos 48,1 mil milhões de euros que o Fundo Monetário Internacional (FMI) era suposto emprestar à Grécia, há 16,3 mil milhões que ainda não foram desembolsados e que só seriam entregues a Atenas em março, se a Grécia fechasse com sucesso o segundo programa de resgate.
 
Dos mais de 30 mil milhões já entregues, a Grécia sempre pagou dentro do prazo, mas a última prestação, que venceu esta terça-feira, no valor de 1,6 mil milhões, já não foi paga.
 

Credores também perdem juros


Mas não é só o valor emprestado e não devolvido que o FMI deixa de receber: são também os juros. E os empréstimos mais antigos do FMI à Grécia têm taxas de 3,5%.
 
Já o BCE detém cerca de 18 mil milhões de euros de Obrigações do Tesouro grego. Ativos que perderiam boa parte do seu valor se a Grécia saísse do euro. 6,7 mil milhões de euros destas Obrigações vencem em julho e agosto deste ano.

Mas o BCE tem mais com que se preocupar: a banca grega obteve liquidez no valor de 118 mil milhões de euros do banco central, incluindo 89 mil milhões da chamada assistência de liquidez de emergência (ELA na sigla do inglês). A responsabilidade por esse valor caberia ao banco central grego, mas apenas enquanto a Grécia permanecer na moeda única. Com a saída da Grécia, a conta caberia aos restantes países do euro.
 
Além disso, existem cerca de 45 mil milhões de euros em notas na Grécia que representariam mais um risco, já que o Eurosistema como um todo tem a obrigação de honrar o pagamento dessas notas.
 

Zona euro é também credora


A Zona Euro é também credora da Grécia. Os países da moeda única emprestaram 52,9 mil milhões de euros a Atenas ao abrigo do primeiro resgate, acordado em 2010. Ao abrigo do segundo resgate, acordado em 2012, a Grécia recebeu já 141,8 mil milhões de euros do fundo de resgate europeu. E deveria receber mais 1.800 milhões no final de junho, se tivesse fechado com sucesso o segundo programa.
 
A Alemanha é o país com mais créditos. A exposição à Grécia depois dos dois resgates é de 57,23 mil milhões, a da França de 42,98. Itália também tem uma exposição de 37,76 mil milhões e a vizinha Espanha de 25,1 mil milhões de euros. Valores a que precisariam ainda ser somadas as suas contribuições para os empréstimos feitos pelo FMI.
 
Os países da Zona Euro já estenderam os prazos dos empréstimos à Grécia de 15 para 30 anos e baixaram as taxas de juro para 0,5% acima da taxa a que se financiam. Além disso, deram à Grécia uma moratória de dez anos, para começar a pagar os juros do empréstimo do fundo europeu.