O diretor dos Assuntos Monetários do Fundo Monetário Internacional (FMI), José Viñals, alertou na segunda-feira que entre 30% e 47% da dívida das empresas de Itália, Espanha e Portugal estão nas mãos de empresas que não a podem pagar.

Em Itália, esta percentagem situa-se nos 30%, ao passo que em Espanha ascende a 41% e em Portugal a 47%, referiu o espanhol José Viñals, citado pela agência espanhola EFE numa conferência em Barcelona.

Nestes casos, a dívida com os juros que essas empresas enfrentam a cada ano ultrapassa o seu lucro antes de impostos, o que torna muito difícil assumir o pagamento dos créditos.

Desta forma, a solução existente para as companhias passa pelo refinanciamento da dívida e pelos cortes nos custos e nos investimentos, disse Viñals, que destacou a relevância desta problemática, defendendo que a mesma não pode ser ignorada pela Europa.

Na sua palestra, o diretor do FMI analisou a situação em que se encontra a economia mundial e os desafios que ainda enfrenta para poder superar definitivamente a crise.

O responsável defendeu o estímulo monetário introduzido pelos bancos centrais para fazer face à crise, acrescentando que as expectativas relativas à inflação estão «ancoradas», ao contrário do que à primeira vista se poderia pensar.

Por isso, Viñals apoiou a política de baixas taxas de juro implementada na Europa e nos Estados Unidos e a introdução de mais liquidez na economia através das compras de ativos como títulos do Tesouro.

«Acho que os riscos estão controlados e que a atuação dos bancos centrais foi boa. Penso que fizeram o adequado e que foram os grandes salvadores do mundo nesta crise», realçou.

Segundo o Viñals, a economia mundial está a melhorar, embora a Europa, os Estados Unidos, os países emergentes e todo o sistema financeiro tenham que lidar com sucesso as «transições» em que estão imersos, de forma a encontrarem a saída definitiva da crise.

No caso europeu, Viñals considerou que «deixou para trás os seus piores momentos e a recessão», ainda que alertando para o risco de cair na «complacência e no excesso de confiança».

E acrescentou: «A importância das reformas estruturais na Europa é extraordinária e este é um campo em que há que manter a firmeza».

Sobre os Estados Unidos, o diretor do FMI frisou que o país tem uma «política orçamental francamente terrível» que está a prejudicar o crescimento da maior economia do mundo.

O responsável desafiou os Estados Unidos a estabelecer uma estratégia orçamental credível a médio e longo prazo, que permita reduzir a dívida do país de uma forma paulatina.

O processo de consolidação das contas públicas nos Estados Unidos «deve ser uma maratona e não um sprint», rematou.