O Governo está a estudar formas de resolver o sobreendividamento das famílias, e não exclui penalizar as instituições que dão crédito fácil e sem critérios a quem não pode pagar. 

Ainda na semana passada, o Banco de Portugal alertou para tentação do crédito fácil, realçando que, apesar da retoma, país ainda enfrenta uma série de vulnerabilidades. Os bancos podem ter a tentação de conceder empréstimos sem grandes restrições dada a pressão das taxas de juro baixas, que se deverão manter ainda por algum tempo. Lembra-se do que aconteceu em 2007/2008 com a crise do subprime? É esse o receio do Banco de Portugal.

Hoje, em entrevista à Antena 1 e ao Jornal de Negócios, a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem disse que constituiu um grupo de trabalho para encontrar mecanismos que permitam agir, de forma precoce, junto dos consumidores que estejam em risco de deixar de poder cumprir as suas obrigações.

Uma das medidas em vista neste combate ao sobreendividamento é o envio de alertas às famílias, ao mesmo tempo que se tenta ajudá-las a reestruturar as dívidas.

A ministra disse que deve haver mecanismos que permitam às entidades que concedem crédito serem alertadas sobre casos de situação económica difícil e, por seu turno, penalizar quem dá crédito fácil mesmo depois de avisada.

Por outro lado, Francisca Van Dunem mostrou-se preocupada com o tempo que leva uma dívida a ser cobrada. A ministra da Justiça defende que "o Estado tem de assumir um compromisso, e um compromisso sério, relativamente ao tempo médio dos processos”.

Nesta mesma entrevista, traçou como meta baixar o prazo das ações executivas para metade dos atuais 47 meses.

Diria que expectável para a maioria das pessoas é que um processo destes não demore mais de um ano e que, em alguns casos, demore menos do que isso”.