O antigo economista chefe do FMI, Olivier Blanchard, diz que a retoma da economia em Portugal está no bom caminho e que ainda pode ser reforçada.

Blanchard está em Portugal e, numa entrevista à TVI, sublinhou que os últimos dez anos foram dolorosos mas o pior já passou. 

As coisas finalmente, e depois de 10 anos dolorosos, estão a melhorar e consigo ver a retoma a acontecer”, disse numa entrevista para ver na íntegra na TVI24 sábado e domingo.

Mas nem tudo é um mar de rosas: “Continuo a achar que há ainda algo a fazer e, termos de emprego que continua muito alto e tem que descer”.

E depois o tema da competitividade. Para Blanchard “há ainda um caminho a fazer em termos de competitividade”. Apesar de reconhecer que já foram feitos progressos, “ainda podem ser feitos mais”.

Um caminho que “não será fácil” porque o país “tem uma dívida elevada, como resultado dos últimos dez anos”. Mas o economista acredita que “a retoma é real. E vai continuar. A questão é saber se pode ser reforçada”.

O antigo economista-chefe do FMI dá esta entrevista numa semana em que a confiança do Governo está em alta, depois de a Comissão Europeia ter elogiado o crescimento português, a estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística vir dizer que Portugal cresceu 2,8% no primeiro trimestre de 2017 acima do esperado, e o próprio Presidente da República ter “anunciado” – em plena visita à Croácia – que a economia pode crescer até 3,2% este ano, muito acima dos 1,8% estimados pelo Governo.

“Se tentarem reduzir a dívida vão suicidar-se”

Já sobre a dívida, Blanchard desaconselha qualquer tentativa de redução nesta fase. Embora reconheça que uma dívida de aproximadamente 130% do Produto “é uma grande preocupação”, diz que “não há muito mais que Portugal possa fazer sobre isso”.

“Têm que aceitar. Se tentarem [reduzir a dívida] vão suicidar-se”, acrescenta perentoriamente. E justifica: “Teriam que ter uma enorme consolidação orçamental e isso têm efeitos adversos. Seria terrível. Não vão quer fazê-lo. Vão quer mantê-la estável”.

E sobre o futuro próximo, como não é possível passar a dívida para 60% do Produto, é preciso evitar que cresça mas com uma “consolidação orçamental lenta”, aconselha.

O único problema é a subida dos juros, mas, mesmo nesse caso, o economista diz que “a vossa vida não vai ser fácil. É possível, mas será mais difícil”.

Blanchard diz ainda que Portugal não deve esperar qualquer perdão da dívida, por parte da Europa, e refere que, tal como a outros países, “ninguém dos vai dar tréguas”. A única exceção para o ex-FMI, é a Grécia que dificilmente sairá de onde está sem perdão.