A decisão do Banco Central Europeu de deixar de aceitar títulos da dívida pública grega nas suas operações de refinanciamento não terá um impacto negativo no setor financeiro do país, referiu quarta-feira o Ministério das Finanças grego.

Em comunicado, divulgado na sequência do anúncio público da decisão do BCE, o Ministério das Finanças explica que a decisão não terá um impacto negativo no setor financeiro da Grécia, que continua «completamente protegido» por outros canais de liquidez que ainda estão disponíveis.

A decisão «coloca a pressão no Eurogrupo – a reunião dos ministros das Finanças da zona euro – para uma rápida conclusão entre a Grécia e os seus parceiros de um acordo que beneficie todos» sobre o futuro da dívida grega e as reformas económicas no país, acrescenta o comunicado.

O Banco Central Europeu anunciou quarta-feira que deixa de aceitar títulos de dívida pública grega nas suas operações de refinanciamento, avançou a agência espanhola Efe.

O BCE acrescentou que os bancos gregos podem aceder a liquidez através do Banco da Grécia, recorrendo ao programa de liquidez de urgência.

De acordo com a agência France Presse, esta decisão tomada pelo conselho de governadores «está conforme as regras do eurosistema», citando um comunicado do BCE, emitido apenas algumas horas depois de o novo ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, ter referido que o seu encontro com o presidente do banco europeu, Mario Draghi, se tinha saldado por uma «discussão produtiva».

O BCE suspendeu o regime favorável do qual beneficiavam até agora os bancos gregos, «dado que não é possível neste momento antecipar uma resolução positiva» do programa de ajuda internacional aplicado na Grécia, segundo o comunicado do banco central.

Uma decisão que se refletiu esta quinta-feira na bolsa de Atenas, com o ATHEX a tombar mais de 9%

Varoufakis tem encontro marcado com o seu homólogo alemão, Wolfgang Schauble, esta quinta-feira, em Berlim. A reunião é aguardada com expetativa e pode mesmo ser decisiva na estratégia do executivo grego, uma vez que o governo alemão não mostrou disponibilidade para alterar a sua posição em relação ao pagamento da dívida.