Para evitar que os contribuintes sejam chamados a capitalizar o Novo Banco, a solução que está a ser desenhada pode passar pelo recurso aos credores do banco, ou seja, a dívida sénior do banco pode ser transformada em capital.
 
Segundo a TSF, a solução ‘sugerida’ pelo BCE passa pela transformação da dívida sénior em capital. Este é um tipo de aplicação detida normalmente por grandes investidores como fundos de investimento, de pensões ou mesmo outras instituições financeiras.
 
Agora, a solução terá de estar pronta nas próximas horas, a tempo de passar pelo Conselho de Ministros desta quarta-feira.  De um bolo total de cinco a seis mil milhões de dívida sénior do Novo Banco deverá ser feita uma “escolha seletiva” ou “rastreio” das obrigações a transformar em capital. Já as obrigações detidas por emigrantes deverão ficar de fora.

Os clientes particulares do Novo Banco com obrigações seniores deverão ficar de fora da medida de capitalização. Segundo o Jornal de Negócios, só estarão abrangidos títulos colocados em investidores institucionais, num valor que pode chegar a 1.500 milhões.
 
Entretanto, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) suspendeu a negociação dos valores mobiliários emitidos pelo Novo Banco enquanto aguarda a divulgação da solução para o banco liderado por Stock da Cunha..

"O Conselho de Administração da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) deliberou, nos termos do artigo 214º e da alínea b) do n.º 2 do artigo 213º do Código dos Valores Mobiliários, a suspensão da negociação em mercado regulamentado dos valores mobiliários emitidos pelo Novo Banco, até à divulgação de informação relevante sobre o emitente", diz o comunicado do regulador.
 
O BCE identificou necessidades de capital de 1.398 milhões de euros no Novo Banco, no cenário adverso dos testes de stress, que terão de ser colmatadas no prazo de nove meses.  

De acordo com o 'exame' do BCE, divulgado no dia 14 de novembro, naquele que é designado de cenário base, o Novo Banco cumpriu o mínimo exigido, tendo ficado com um rácio de capital CET1 (Common Equity Tier 1) de 8,2%, ligeiramente acima do mínimo de 8%. Já no cenário mais adverso dos testes - com condições como agravamento da economia ou aumento do desemprego - ficou abaixo do mínimo de 5,5% definido pelo BCE, ao apresentar um rácio de apenas 2,4%.  

Foi neste cenário que o BCE identificou falhas de capital de 1398 milhões de euros. 

A TVI noticiou ontem que o Ministério das Finanças chegou a ter uma versão preliminar do Orçamento Retificativo que previa mil milhões de euros de fundos públicos para o novo banco. Só em cima da hora do Conselho de Ministros, é que essa parcela foi retirada do documento.