Por quanto tempo mais a Grécia conseguirá seguir o seu caminho sem financiamento externo? Ainda é incerto. No entanto, certo é que daqui a quatro semanas, a ‘máquina de suporte de vida’ que tem aguentado Atenas, nos últimos cinco anos, será desligada…
 
Neste espaço de tempo, os empréstimos têm de ser reembolsados e o país está a ficar sem dinheiro. A Grécia arrisca-se mesmo a entrar no mês de março em default (incumprimento que impede Atenas de pagar aos credores e cumprir com as suas obrigações internas).

Só em dívida de curto prazo, contraída no mercado, os gregos terão de reembolsar 21,15 mil milhões de euros este ano.
 
O ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, acredita que o acordo ainda é possível nos próximos dias, embora o entendimento não pareça estar no horizonte. Varoufakis pede um empréstimo sem programa, ou seja, sem austeridade, mas Bruxelas só empresta se for assinado um memorando de entendimento. Entretanto, esta terça-feira, uma fonte de Bruxelas revelou que a Grécia vai pedir uma extensão do seu empréstimo com a Zona Euro já amanhã, por um prazo de seis meses.

Os ministros das Finanças da zona euro estiveram ontem reunidos, mas o encontro, terminou, mais uma vez, sem acordo.
 
Situação grega está por um fio
 
Se não houver acordo, os gregos deixam de receber a última tranche do empréstimo (7.200 milhões de euros) sendo que nas próximas semanas têm muitas contas a acertar com a troika. Este montante é crucial para pagar aos credores e para Atenas cumprir as suas obrigações internas, como pagar salários e pensões aos seus funcionários públicos.
 
A primeira conta de todas terá de ser paga em março e diz respeito a 1.500 milhões de euros de reembolso ao FMI. A segunda, de igual valor, terá de ser paga em junho e, a terceira, também de igual valor, terá de ser paga em setembro.
 
Do lado europeu, os gregos terão de reembolsar 3.500 milhões de euros em julho e 3.200 milhões de euros em agosto.
 
E é perante este cenário, enquanto olha para este pesado calendário, que Varoufakis vê os cofres do Estado cada vez mais vazios. O governo grego tinha, de acordo com os dados oficiais mais recentes, 2.500 milhões de euros reservados em setembro, mas os analistas apontam que esse valor tenha baixado significativamente desde essa altura.
 
Mas as más notícias não ficam por aqui: as receitas do Estado também estão em queda. As promessas do governo de cortes nos impostos estão a encorajar o adiamento de pagamento dos mesmos. E com juros de 10% nas Obrigações do Tesouro a 10 anos ir ao mercado buscar financiamento também não é uma opção.
 
Depósitos voam
 
Entretanto, também já começou a sangria de depósitos nos bancos. O JP Morgan estima que a banca grega tenha apenas 14 semanas até que fique sem garantias suficientes para se financiar junto do Banco Central Europeu (BCE).
 
Uma das primeiras medidas de antecipação do governo grego para evitar piores cenários foi o pedido de 10 mil milhões de euros ao BCE para aguentar a banca durante as negociações com Bruxelas.

Note-se que o BCE autorizou o banco central grego a fornecer empréstimos de emergência, mas o fracasso das negociações de dívida pode significar o controlo de capitais, ou seja, limites ao levantamento de depósitos. A acontecer, isso significaria uma corrida aos bancos e o seu encerramento forçado, tal como aconteceu em Chipre.

Ora, sem dinheiro e desligada dos credores, a Grécia seria forçada a imprimir a sua própria moeda e assim acabar com a sua presença na zona euro.

Segue abaixo o gráfico para ilustrar as necessidades de financiamento da Grécia