Primeiro, foi a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, que anunciou que Portugal tem os «cofres cheios» e que pode satisfazer todos os compromissos «tranquilamente» e «durante um período prolongado». 

Menos de uma semana depois, foi a vez do primeiro-ministro, Passos Coelho, justificar o porquê dos cofres estarem cheios: é, segundo o PM, porque a «prioridade» do país passa pela diminuição do stock de dívida para se pagarem menos juros e se «ter mais dinheiro» para políticas públicas.

Mas se, por um lado, os cofres estão cheios, por outro, há muitas dívidas e juros para pagar. Por isso estão cheios, mas de dinheiro emprestado.

A dívida pública nacional, em fevereiro, ascendia aos 228 mil milhões de euros, segundo dados do IGCP.

Só nos primeiros dois meses do ano Portugal já teve de pagar 1.066 milhões de euros de juros da dívida. O Orçamento do Estado para 2015 prevê que os encargos com os juros ascendam a 8.451 milhões. No ano passado, o Tesouro pagou 7.731 milhões de euros só de juros.

Daí que o Governo tenha decidido antecipar o reembolso ao FMI, prevendo poupar 500 milhões de euros de juros. O plano é antecipar o pagamento de 14 mil milhões de euros ao Fundo nos próximos dois anos e meio, dinheiro que Portugal vai buscar aos mercados, a taxas de juro mais baixas Ficam cerca de 12 mil milhões por pagar ao Fundo.

Do pacote total de ajuda externa, no montante global de 78 mil milhões de euros, um terço foi concedido pela União Europeia ao abrigo do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira, outro tanto através do Fundo Europeu de Estabilização Financeira, o FEEF (26 mil milhões cada), e a terceira fatia, de idêntico valor, pelo Fundo Monetário Internacional.

A Comissão Europeia estimou que Portugal deverá pagar, no total, cerca de 60 mil milhões de euros de juros da dívida durante o período 2014-2020.

A estes montantes junta-se a dívida que o país tem aos mercados, por via da emissão de Bilhetes e Obrigações do Tesouro, mais os encargos que o Estado tem com salários, prestações sociais, etc.

Dados da direção-geral do Orçamento mostram que em fevereiro o défice nas contas públicas era de 239,8 milhões de euros.

A decisão do Governo por acautelar que Portugal tem reservas suficientes para não ter de procurar novos financiamentos caso as condições de mercado se deteriorem. A esta altura o Estado tem asseguradas as necessidades de financiamento por mais de um ano.