O presidente executivo do Millennium BCP, Nuno Amado, disse esta quinta-feira acreditar que a «bazuca» do Banco Central Europeu (BCE) será «muito favorável» para o Orçamento português e terá como reflexo «preços altos e taxas de juro baixas» da dívida portuguesa.

«A bazuca do BCE vai ter como reflexo haver níveis de preços altos e taxas de juro baixa, especialmente na dívida pública portuguesa e, portanto, eu penso que vai também ser muito favorável para o Orçamento português», afirmou no final das jornadas Millennium Empresas, que esta quinta-feira decorreram no Porto.

O BCE vai comprar mensalmente 60 mil milhões de euros de dívida pública e privada a partir de março e, pelo menos, até setembro de 2016, totalizando 1,14 biliões de euros, numa ação forte (que os analistas chamam de «bazuca») destinada a contrariar o risco de deflação na zona euro.

Para Nuno Amado, «a "bazuca" do BCE no Millennium não vai ter uma implicação significativa», terá sim «nos preços da dívida pública», sendo provável que estes se mantenham baixos, tal como as ILD (Infraestruturas de Longa Duração).

«Sem ser isso, é muito mais relevante o que eles fizeram há seis meses diretamente, que foi a linha de financiamento de prazo longo a uma taxa baixa para financiar as empresas», acrescentou.

Questionado sobre a situação do Novo Banco e possíveis implicações na participação do BCP no fundo de resolução, o banqueiro respondeu que «a equipa de administração executiva neste momento no Novo Banco está a fazer um trabalho muito meritório para o levar a uma venda adequada».

Admitindo desconhecer as condições de venda, tal como «não se conhecem sequer os resultados a 31 de dezembro», admitiu estar «confiante que hoje a fotografia com a venda do Novo Banco é melhor que aquela que existia em julho, agosto e setembro».

«Estamos a caminhar no sentido certo. Se o resultado vai ser bom? Veremos depois», concluiu.