
O valor das ordens sobre dívida pública disparou 66 por cento no primeiro trimestre do ano, face ao mesmo período de 2011, com o número de ordens a crescer 490 por cento, segundo os dados divulgados esta segunda-feira pela CMVM.
Já em termos mensais, na comparação entre março e fevereiro, a subida do valor das ordens no segmento da dívida pública foi de 19 por cento para 1.762,4 milhões de euros e, em termos de número de ordens, houve um aumento de 48 por cento, de acordo com o relatório estatístico da Comissão do Mercado de Valores Mobiliário (CMVM).
Já o valor das ordens sobre dívida privada, que representam cerca de metade do total, desceu 20 por cento face a fevereiro, para 6344,0 milhões de euros, embora o número de ordens tenha aumentado 21 por cento no mesmo período.
No primeiro trimestre, o valor das ordens sobre este instrumento financeiro subiu 267 por cento e em número cresceu 224 por cento face ao período homólogo de 2011.
Em março de 2012, o valor das ordens sobre instrumentos financeiros recebidas pelos intermediários financeiros registados na CMVM caiu 19,3 por cento em relação ao mês anterior, para 12.736,8 milhões de euros.
No segmento acionista o valor das ordens caiu 15 por cento em relação ao mês anterior, para 3.492,6 milhões de euros, e o número de ordens diminuiu 25 por cento. Nos primeiros três meses do ano, o valor das ordens recuou 13 por cento e o número de ordens desceu 17 por cento em relação ao mesmo período de 2012.
O BES (17,2 por cento), o BESI (13,1 por cento) e a Fincor (12,0 por cento) tiveram as maiores quotas de mercado nas transações sobre ações. Na dívida (pública e privada), a maior quota pertenceu ao BES (64,6 por cento), seguido do Intermoney Portugal (18,9 por cento) e do BESI (4,9 por cento).
O valor intermediado sobre instrumentos financeiros derivados desceu 7,7 por cento em relação a fevereiro, para 16,6 mil milhões de euros, e o número de contratos negociados diminuiu 21,5 por cento. O montante intermediado sobre derivados caiu 43,7 por cento no primeiro trimestre de 2011 face ao período homólogo, enquanto o número de ordens subiu 16,8 por cento.
O valor negociado através de contratos de futuros, o instrumento com maior peso no mercado de derivados em fevereiro (65,6 por cento do total), caiu 6 por cento em relação a fevereiro, para 10.935,3 milhões de euros. As taxas de juro de curto prazo, com um peso de 45 por cento, foram o subjacente mais utilizado pelos futuros em março, enquanto as taxas de câmbio foram as mais utilizadas no primeiro trimestre.
Em março, o valor das ordens de residentes caiu 22,2 por cento para 8.618,3 milhões de euros e o de não residentes desceu 12 por cento para 4.118,5 milhões de euros.
Das ordens recebidas neste período, 57,2 por cento foram executadas fora de mercado, após uma queda de 23 por cento em relação a fevereiro, tendo 16,7 por cento sido internalizadas, 16,0 por cento executadas nos mercados regulamentados internacionais e 10,1 por cento nos mercados nacionais.
A França, a Alemanha e os Estados Unidos foram os três principais destinos das ordens executadas sobre ações fora de Portugal, enquanto o Reino Unido, o Luxemburgo e a Alemanha foram o principal destino das ordens sobre títulos de dívida.