A cervejeira Unicer reconheceu esta quinta-feira que recorre a trabalho temporário, «enquanto instrumento de flexibilidade», e que há casos de «mobilidade funcional» dos seus trabalhadores, mas negou estar a violar a lei.

A empresa reagiu em comunicado enviado à Lusa às acusações do Bloco de Esquerda (BE), que entregou três requerimentos no Parlamento, nos quais exige uma intervenção da Autoridade para as Condições no Trabalho (ACT) na cervejeira para analisar «abusos flagrantes», que passam por «alterações violentas dos postos de trabalho» e «rescisões pouco amigáveis».

«Na Unicer não há alterações violentas de postos de trabalho. O que há, isso sim, são casos de mobilidade funcional (dentro do quadro os que a lei o permite fazer). Nestes casos, a Unicer informou, como sempre, quer a trabalhadores abrangidos sobre os termos e as condições dessa mobilidade bem como as entidades que os representam», justifica a empresa.

Em declarações à agência Lusa, a coordenadora do BE, Catarina Martins, disse que «há trabalhadores que assinaram 23 contratos de trabalho mensais ao longo de dois anos, que não gozaram um único dia de férias e depois foram despedidos».

«Daquilo que temos conhecimento é de abusos flagrantes dos direitos dos trabalhadores numa das maiores empresas portuguesas, numa empresa que está ligada ao ministro da Economia e é preciso claramente uma atuação rápida das autoridades», afirmou a deputada.

Nos três requerimentos, o grupo parlamentar do BE refere-se a «diversos casos que parecem configurar práticas laborais ilegais», como a existência na área industrial da empresa «de mais de cinquenta trabalhadores com contratos mensais, sucessivos ou intercalados» ou o caso de «três trabalhadores que assinaram vinte e três contratos de trabalho mensais consecutivos ao longo de dois anos nunca tendo gozado quaisquer dias de férias».

A Unicer defende-se dizendo que «o trabalho temporário, enquanto instrumento de flexibilidade, é utilizado de acordo com a lei» e que tem vindo a reduzir «o recurso à flexibilização laboral, agora que se aproxima a conclusão do projeto de investimento em Leça do Balio».