O secretário de Estado do Comércio espanhol manifestou-se esta segunda-feira «convencido» que Portugal e Espanha vão ser as «grandes surpresas» das economias europeias nos próximos anos, com os primeiros sinais de crescimento já visíveis.

«Estou convencido de que Espanha e Portugal vão ser as grades surpresas das economias a nível europeu, nos próximos anos. Como desconfiaram de nós quando foi a adesão ao euro, e depois surpreenderam-se, acho que isso vai voltar a acontecer agora», afirmou Jaime Garcia Legaz.

Legaz falava num almoço-debate da Câmara Hispano-Portuguesa, em Madrid, no qual analisou a atual conjuntura económica e os sinais positivos que se evidenciam na relação com o mercado exterior e no resto da economia.

«Estamos na boa direção. Este trimestre registámos crescimento positivo pela primeira vez. Isso marcará um antes e um depois. No terceiro trimestre haverá mais crescimento positivo. Não voltaremos a ter mais contração económica nos próximos tempos», disse.

Numa análise predominantemente positiva da situação económica espanhola - apesar de dados preocupantes em torno a questões como o desemprego e o débil crescimento interno - Legaz considerou haver sinais de que a recuperação económica «é definitiva».

«Não estamos perante sinais de uma recuperação que se iria abortar, mas sinais de que o crescimento pode ser sustentado», disse.

O secretário de Estado destacou em particular a «pujança» da balança comercial espanhola, com o país a recuperar grande parte do défice externo, num cenário de diversificação do mercado geográfico que ajudou a «reduzir a dívida externa e a dependência externa no financiamento».

Há mais empresas exportadoras, disse Legaz, «mais a exportar consecutivamente» e um crescimento significativo do componente de alto valor tecnológico».

A nível bilateral, Legaz recordou os fortes laços comerciais com Portugal, «uma economia fundamental para Espanha» e «o mercado exterior com que melhor e mais estreitamente está integrada a economia espanhola».

Questionado sobre a possibilidade da criação de um mercado único ibérico, Legaz recordou os passos já dados na integração, como o mercado ibérico de eletricidade e gás, que «demonstram que se está a andar na boa direção».

«Existe, de facto, um mercado ibérico. Isto é bom para as economias portuguesa e espanhola», afirmou.

Questionado sobre o facto de, no primeiro semestre, a balança comercial com Portugal ter melhorado para o lado português, o secretário de Estado afirmou que o mais importante, do que uma leitura bilateral da balança, é que «a economia portuguesa se recupere o quanto antes».

«Está a melhorar do lado português e isso é bom. Portugal está a melhorar a sua competitividade, a fazer as suas reformas, a melhorar a sua capacidade exportadora», disse.

«Visto do lado espanhol, quanto melhor estiver a economia portuguesa, melhor estará a economia espanhola porque aumentará as suas vendas para o país», afirmou.