A The Navigator vai deixar parado qualquer plano que possa passar por investimentos no Reino Unido, após o desfecho da votação do passado dia 23 de junho que deu a vitória à saída da União Europeia.

Em declarações à agência Bloomberg, o presidente da papeleira e pasteira portuguesa – que exporta para cerca de 130 países – Diogo da Silveira disse que “o Reino Unido é sempre uma das prioridades na nossa lista mas agora temos muitas questões sem resposta”.

“Sem o Brexit estavámos preparados para investir no país nos próximos três anos. Mas agora não estou em condições de assegurar que essa será uma possibilidade”, acrescentou.

The Navigator exporta mais de dois terços, dos 1,6 mil milhões de toneladas de papael que produz por ano, para outros mercados da Europa além do britânico.

Apesar de uma libra mais fraca não ter afetado as vendas para o país por causa da política de hedging - instrumentos de cobertura de risco - da empresa, pode impactar na margem do lucro naquele mercado, disse Diogo da Silveira.  

“Se se mantiver assim é menos aceitável”, referiu o CEO sobre a queda da libra, ontem, para mínimos de três décadas face ao dólar. A consequência é que a empresa “acabará a subir o preço do produto aos seus clientes.”

A The Navigator tem apostado na expansão da produção em Moçambique e também em novos produtos, com a construção de uma fábrica nos Estados Unidos e a aquisição da produtora de lenços de papel AMS BR Star Paper SA em Portugal.

O investimento em lenços de papel e outros para consumo doméstico ajuda a compensar a quebra na procura de papel para escritório, assegurou, na mesma conversa, do responsável da empresa. O consumo de papel para escritório caiu 1,2% nos três últimos anos na Europa.

As vendas da empresa devem rondar os 1,6 mil milhões de euros este ano tal como em 2015.