Quando falamos em poupança, especialmente nos dias de hoje, costumamos ser imediatamente confrontados com risos e sentimentos de impossibilidade. Por alguns motivos, achamos sempre que é impossível poupar.

Para muitas pessoas a primeira resposta à pergunta «é possível poupar» é um rotundo não, que costuma resultar de um sentimento de impotência ou, muitas vezes, por falta de reflexão. Naturalmente que estamos conscientes de que para muitas famílias é cada vez mais difícil, se não mesmo impossível, poupar.

Contudo, acreditamos que para podermos responder àquela questão, deveremos refletir um pouco.

Para o ajudar nessa reflexão, importa que saibamos definir ao certo o que é poupar. Poupar mais não é do que deixar de consumir hoje para consumir no futuro. No entanto, muitos acham que poupar só vale a pena a partir de algumas centenas de euros. Claro que isto é poupar, apesar de que não consumir 1€ também é poupança.

Assim, constatamos que o número de pessoas que dizem que não conseguem poupar um euro ou cinquenta cêntimos já se reduziu bastante. Possivelmente são mais as pessoas que conseguem deixar de consumir um café e colocar o dinheiro de parte.

Surge-nos aqui outra questão. Para que serve poupar um euro? Faz sentido. No entanto, é nossa intenção incentivar a criação de hábitos de poupança. Começar hoje com 1 euro poderá ser o início da criação de hábitos, ao forçar-nos a contrariar alguns dos nossos gostos ou pequenos prazeres ou ao forçar-nos a renegociar alguns contratos (como as telecomunicações ou os seguros). E poderá não acreditar mas muitos problemas financeiros sérios surgiram pela inexistência de uma poupança de 50-100 euros.

Apresentamos três ideias simples, utilizadas por muitas pessoas e com grande sucesso:

A poupança deverá ser realizada no início do mês, no momento exato ou logo após o recebimento do nosso vencimento. Antes de pagarmos as telecomunicações, a gasolina ou o supermercado¿

Programar uma transferência automática e regular de uma parte do nosso rendimento. Há quem fale de 10%-15% do rendimento da família. No entanto, sabemos que este objetivo é bastante ambicioso, pelo que muitas vezes irrealista ou mesmo sem sentido. Comece com pouco e vá aumentando a poupança ao longo do tempo;

A poupança deve ser considerada uma despesa, pelo que devemos olhá-la como algo prioritário e obrigatório. Se não nos consideramos uma prioridade, ninguém o irá fazer por nós.

João Morais Barbosa ¿ www.escoladefinancaspessoais.com