Tendo falado na semana passada da importância de definirmos as nossas prioridades, algo que possibilitará identificar as despesas que seriam em primeiro lugar «sacrificadas» no esforço de corte de custos, queremos abordar hoje a importância da responsabilização.

A revolução de abril trouxe-nos a liberdade de escolha, entendida pela generalidade das pessoas como a possibilidade de escolhermos aquilo que queremos. Não querendo trazer filosofias para a discussão, acreditamos que a noção de liberdade se prende mais com a possibilidade de escolhermos aquilo que é melhor para nós.

E queremos com isto significar que é fundamental que procuremos toda a informação necessária para tomarmos decisões informadas e coerentes com as nossas prioridades e desejos, pesando diversos fatores e critérios.

No decurso das nossas formações e das consultas que damos, costumamos formular algumas questões, como sendo:

- Sabe quantos créditos tem?

- Sabe os motivos que o levaram a fazer todos os créditos?

- Leu os seus contratos de crédito?

Pode parecer surpreendente, mas muitas pessoas dão uma resposta negativa às três questões, ou pelo menos a duas delas. Como podemos explicar este fenómeno? Descontrolo? Desconhecimento? Desresponsabilização? Irresponsabilidade?

Trazemos sempre um alerta. Temos de procurar sempre toda a informação disponível para tomar decisões informadas. E tal implica saber os prós e os contras das decisões, o que muitas vezes é algo complexo dada a dificuldade em perceber os contratos e as suas implicações. Sim, os bancos deviam ser forçados a dar a informação de forma simples e acessível, o que nem sempre (raramente?) acontece.

No entanto, quando somos confrontados com a compra de um carro, costumamos recolher opiniões de várias pessoas, desde amigos, mecânicos e outros especialistas. Porque é que com o nosso dinheiro é diferente? Por que achamos que é uma vergonha não saber ou ter dúvidas? Existem tão bons profissionais que o podem ajudar e esclarecer (e sem um custo associado)¿

As decisões que tomamos têm consequências. Umas no curto prazo, outras no médio-longo prazo. Procuremos usar critérios mais rigorosos para a procura e tomada de decisão, pois para irresponsabilidade já nos basta a dos nossos políticos e líderes.