Quando pensamos na educação financeira das crianças, pensamos não só nos conhecimentos que são transmitidos aos nossos filhos, mas também no seu potencial criador de hábitos diários.

Ao falarmos destes hábitos, nunca nos esquecemos de que a reciclagem entrou em casa pela mão dos filhos que, ao serem estimulados nesse sentido pelas escolas, acabaram por induzir comportamentos no mesmo sentido junto dos seus pais.

O potencial mobilizador dos nossos filhos, aliado à sua curiosidade e ambição, deverá ser aproveitado nos esforços de poupança em casa. Neste contexto, sugerimos que procure um constante envolvimento dos seus filhos, que deverá começar com o diálogo e seguido pelo desenvolvimento de estratégias de promoção da poupança, há semelhança do que sugerimos num artigo na passada semana em que abordamos a importância do diálogo entre os pais.

POUPANÇA NOS SERVIÇOS UTILITÁRIOS DOMÉSTICOS

As faturas dos serviços utilitários domésticos, como sendo a água, luz ou o gás, são um peso elevado para a generalidade das famílias portuguesas. Adicionalmente, são focos muito importantes de desperdício pela má utilização que damos destes recursos, sendo tanto maiores quanto maior o número de filhos em casa. O motivo é simples: todos sabemos a despreocupação das nossas crianças em desligar as luzes ou em tomar banhos demorados (apenas alguns exemplos).

Uma estratégia simples passa por dois passos:

- Em primeiro lugar, quando chegar a conta da água ou da luz aproveite a oportunidade para falar sobre a dimensão da despesa e sobre formas de reduzir estas despesas*. Não perca a oportunidade de pedir ao seu Filho sugestões de redução. Dê-lhe o leme e a autonomia para atuar ativamente nesta redução. Irá ver que os resultados o surpreenderão.

- Em segundo lugar, estabeleça metas de redução dessas despesas, definindo um prémio simbólico (mas razoável) para premiar o sucesso. Se tiver mais do que um filho deixe cada um encarregue a um dos serviços.

A conclusão do processo passa por atribuir o referido prémio quando vier a próxima conta. Na realidade, a nossa experiência demonstra-nos que esta estratégia acaba por resultar num esforço continuado por parte dos filhos na redução destas despesas. Passam a estar mais atentos às luzes (que antes ficavam ligadas indefinidamente pela casa), tomar banhos menos demorados, fechar a torneira quando lavam os dentes e muitas outras. Adicionalmente, os pais ganham em calma ao deixar de estar sempre a pedir para que os filhos tenham mais atenção à poupança.

Nota: Este texto é um excerto de um livro dedicado à Educação Financeira das Crianças que será publicado em breve

* Para tal, poderá aproveitar as sugestões de poupança do nosso «Manual da Poupança».

João Morais Barbosa