Portugal foi o país da OCDE que mais aumentou a carga fiscal sobre o trabalho em 2013, depois do «enorme» aumento de impostos decidido pelo ex-ministro das Finanças, Vítor Gaspar.

De acordo com um relatório hoje divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Portugal teve no ano passado um aumento de 3,5 pontos percentuais, quando o crescimento médio dos 34 países se situou nos 0,2 pontos.

Em 2013, Portugal atingiu uma carga fiscal sobre os salários de 41,1%, acima da média dos 34 países, que ficou nos 35,9%, depois da introdução da sobretaxa de IRS e da diminuição dos escalões.

Na prática, isto significa que mais de 40% do salário bruto de um português, a ganhar um ordenado médio, serve para pagar impostos ou contribuições para a segurança social.

Do total de 41,1%, de acordo com a OCDE, 13,1% ficam nos impostos, 8,9% diz respeito às contribuições para a Segurança Social e 19,2% refere-se à Taxa Social Única (TSU) paga pelo empregador.

Entre os países, Portugal apresenta-se como tendo a décima segunda carga fiscal mais elevada, de uma lista liderada pela Bélgica e pela Alemanha (com cargas fiscais de 55,8% e 49,3%).

Acima de Portugal estão também Áustria, Hungria, França, Itália, Finlândia, Suécia, República Checa, Eslovénia e Grécia (apesar da diminuição de 1,35 pontos percentuais em 2013).

Nas últimas posições da tabela estão o Chile (7%), a Nova Zelândia (16,9%), o México (19,2%), Israel (20,7%), a Coreia do Sul (21,4%), a Suíça (22%) e a Irlanda (26,6%).

De acordo com o relatório da OCDE, em 2013, a carga fiscal sobre os salários avançou em 21 dos 34 países da organização, caiu em 12 e permaneceu inalterada em um (Chile).

A carga fiscal nas famílias com filhos e apenas um titular de rendimentos penalizou sobretudo Portugal, a par da Nova Zelândia, ambos a registar um aumento de 1,9 pontos percentuais, seguidos pela Eslováquia, com uma subida de 1,8 pontos percentuais, enquanto a maior queda foi em França e na Holanda (1,5 pontos percentuais).

Quando a segurança social e os benefícios são considerados, os pais solteiros com dois filhos depararam-se em 2012 com um sistema tributário consideravelmente mais progressivo, voltando Portugal a constar entre aqueles em que a situação mais se agravou.

Entre os contribuintes solteiros e sem filhos, Portugal volta a aparecer na lista dos países que enfrentaram um sistema tributário mais progressivo, juntamente com a Irlanda, Israel, Austrália, Finlândia, Reino Unido, Bélgica, Eslovénia e Suécia.