Na semana passada publicámos um artigo sobre o envolvimento dos filhos no esforço de poupança. Continuando a temática da educação financeira das crianças, queremos agora abordar um assunto de uma grande pertinência, quer para jovens quer para adultos: a importância das regras.

Enquanto adultos, gostamos de acautelar o futuro e de prever os acontecimentos. Queremos estruturar as nossas vidas com base em premissas comportamentais da sociedade de modo a garantir a segurança das nossas vidas e da nossa atuação. Neste contexto, as regras assumem-se como fundamentais.

Conscientes da importância das regras, é fundamental reforça-la junto das nossas crianças, procurando garantir o seu respeito e cumprimento rigoroso. Nunca esquecer, contudo, que isto é válido quer estejamos a falar dos nossos filhos quer falemos de nós próprios, visto que a liderança pelo exemplo é um ingrediente indispensável no processo educativo.

Apesar de muitas pessoas afirmarem que as regras têm de ter exceções e que existem para ser quebradas (e se em teoria tal afirmação pode fazer sentido), temos de ter o cuidado na sua aplicação prática, em especial no contexto educativo. Uma má interpretação pode ter um impacto devastador, pelo que é recomendável alguma cautela.

Infelizmente, vemos muitas vezes exemplos reais e quotidianos do incumprimento e impunidade por parte de algumas pessoas. O mais grave é que estes exemplos costumam vir dos nossos líderes ou pessoas conhecidas, o que afeta profundamente a forma de pensar dos cidadãos (ao vermos a impunidade em relação a certos crimes, tendencialmente iremos desvalorizar estes crimes, «afrouxando» os nossos padrões morais). É papel dos pais explicar que os erros são naturais mas que devem ser sempre assumidos.

Uma sugestão prática passa pelo esforço dos pais comentarem determinadas notícias que passam na televisão, mostrando que apesar da impunidade de determinada pessoa o que aconteceu é errado e que merece castigo. E nunca se esqueça que isto é válido quer estejamos a falar de delitos pequenos ou grandes. De facto, deverá mostrar que um roubo é sempre errado, quer se trate de 1€ ou de 1.000€, nunca esquecendo que está a formar uma consciência que se quer rigorosa e moralmente informada.