Quando falamos de qualquer tipo de relacionamento humano, caímos sempre no aparente lugar-comum da necessidade de comunicação entre as várias partes. Dizemos «aparente» pois, apesar de ter lógica quando o lemos, a sua ausência acaba por ser um dos principais sintomas de problemas familiares, sendo conhecido que parte importante dos problemas familiares está relacionada com o dinheiro.

Por onde começar: Tudo começa com uma postura de AMOR. Os relacionamentos humanos resumem-se ao amor, que não é mais do que a procura gratuita pela felicidade e sucesso da outra pessoa. Isto pode implicar em:

1. Para ajudar o outro a encontrar a sua felicidade e o seu sucesso devemos conhecê-lo. Procurar aprofundar o nosso conhecimento significa saber as suas preferências, os seus valores, os hábitos que a fazem feliz e as coisas que ela não gosta. Este conhecimento é um contínuo, que começa antes do namoro e nunca terá fim.

2. Identificar os sonhos e aspirações da outra pessoa. Isto porque um relacionamento amoroso é um caminho em direção a algo. Assim, para o sucesso desse caminho, temos de identificar o destino.

3. Definir objetivos comuns, pois o casamento mais não é do que um caminho a dois, onde ambos se realizam individualmente e contribuem para o crescimento do casal e da família.

Algum formalismo é necessário: Quer falemos de situações de emergência ou de outras situações menos complicadas, somos sempre defensores da criação de alguns hábitos e rotinas, formais e informais, para abordar os temas do dinheiro e do endividamento. Sabemos, contudo, que em situações de emergência estes hábitos se assumem como mais relevantes, pelo que sugerimos duas rotinas:

Reuniões mensais de orçamentação: Defina uma data fixa para reunião do casal (caso tenha algum filho, a partir dos quinze anos, poderá fazer sentido envolve-lo em parte da reunião) onde deverão discutir assuntos como o orçamento verificado no mês, o progresso no esforço de corte de custos, o controlo do nível de endividamento, entre outros.

Conversas informais: Fugindo da tentação de estar sempre a falar dos problemas, determinem momentos específicos na semana para «desabafar» e atentar nos problemas mais prementes no curto prazo. A ideia será tentar minimizar o desgaste na família da existência de problemas financeiros, deixando espaço para outros momentos mais descontraídos em família.

Na próxima semana falaremos do diálogo com os filhos e no seu envolvimento no esforço de poupança.