O último dia de 2014 será marcado por uma maior afluência aos postos de abastecimento de combustíveis, segundo as associações do setor, tendo em conta que é fim de ano e que os preços voltam a aumentar em janeiro.

O presidente da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (APETRO), António Comprido, disse à Lusa que «poderá haver alguma afluência» acima do normal aos postos de combustível, uma vez que «há muita gente que se desloca para fora dos seus locais habituais de residência para celebrar o fim do ano em paragens diferentes».

E isso, acrescentou, «obviamente aumentará o consumo», considerando António Comprido que «não será surpresa» se houver uma procura maior do que o normal e que «os postos de abastecimento estão devidamente aprovisionados para satisfazer a procura».

Menos otimista está a Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC), que alertou para a possibilidade de haver «alguns transtornos» nos postos de abastecimento, devido à afluência superior que se prevê para quarta-feira.

José Reis, vice-presidente da ANAREC, afirmou em declarações à Lusa que esta é uma situação que o «preocupa» porque «as pessoas vão deixar para a última hora» para ir abastecer os automóveis e «poupar mais alguns euros», advertindo que «vai haver alguns transtornos».

Além disso, o vice-presidente da ANAREC apontou ainda outra preocupação: o aumento do preço dos combustíveis a partir de janeiro por via da entrada em vigor do Orçamento do Estado para 2015 e da reforma da Fiscalidade Verde.

«É uma situação que nos preocupa porque os combustíveis poderiam nesta altura estar com um preço mais baixo do que em Espanha e, a partir de agora, vamos ficar com os preços mais elevados», disse José Reis, considerando que isso é particularmente grave no caso dos postos situados «junto da fronteira», uma vez que se torna «de todo impossível abastecer do lado de cá».

O presidente da APETRO, por seu lado, recorda que, «com a aprovação do Orçamento do Estado para 2015 e da lei da Fiscalidade Verde há um provável agravamento do preço dos combustíveis pela via fiscal».

Reconhecendo que esse aumento «é para ser pago pelo consumidor», António Comprido disse que é possível que isso leve os portugueses a tentarem antecipar o abastecimento do automóvel para o último dia do ano, mas que isso «nunca terá uma influência muito grande porque a capacidade de antecipar [o consumo] está limitada à capacidade dos depósitos dos carros».

A queda das cotações dos produtos petrolíferos levou à descida do preço dos combustíveis nos postos de abastecimento nas últimas semanas até valores abaixo dos praticados em 2010, o que permitirá diluir o acréscimo por via do Orçamento do Estado e da reforma da Fiscalidade Verde.

A evolução do preço dos combustíveis em 2015 motivou uma discussão acesa entre as petrolíferas e o Governo, com as contas dos dois lados a divergir no que se refere ao valor relativo ao aumento da incorporação de biocombustíveis.

As contas da Galp dão um aumento de cinco cêntimos por litro no gasóleo e de 6,5 cêntimos na gasolina no próximo ano, resultante do agravamento da contribuição de serviço rodoviário, previsto no Orçamento do Estado, da taxa de carbono, contemplada na reforma da Fiscalidade Verde, e ainda da incorporação de biocombustíveis (prevista no decreto-lei 117/2010).

O Governo veio, por várias vezes, rejeitar este resultado, o que levou a APETRO a refazer as contas e a corroborar uma subida de 5 e 6,5 cêntimos no gasóleo e na gasolina, respetivamente.