A ocupação hoteleira no Algarve durante a passagem de ano deverá ser «idêntica» à de 2012, por o dia 01 ser numa quarta-feira e porque os portugueses continuam a sentir a crise, segundo a principal associação regional do setor.

A ocupação de hotéis para a passagem de ano em 2012 rondou os 30% na região, menos 10% em relação a 2011, apesar de os preços terem então baixado.

O presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas, disse à agência Lusa que «para o período de fim de ano se espera uma procura mais ou menos idêntica à que se verificou no ano passado, mas por períodos mais curtos, uma vez que a passagem de ano coincide com um dia de semana e não permite a chamada ¿ponte¿».

Por o dia 31 calhar numa terça-feira, os portugueses - que são o mercado que mais procura o Algarve para passar o ano - não vão poder juntar o feriado de ano novo ao fim de semana, situação que, nos anos anteriores, «tem contribuído de alguma forma para que as estadias sejam mais prolongadas», justificou Elidérico Viegas.

«Nessa perspetiva, independentemente de podermos vir a ter o mesmo número de pessoas que tivemos no ano passado, infelizmente ficarão menos tempo e isso terá um reflexo negativo, naturalmente, nas receitas dos hotéis e empreendimentos turísticos da região», acrescentou.

Elidérico Viegas lembrou que as medidas de austeridade implementadas a nível nacional também não contribuem para um aumento da procura no próximo ¿réveillon¿.

«Infelizmente, como sabemos, a situação económica do país não é muito favorável, as medidas de austeridade têm contribuído para que as pessoas tenham um esforço de contenção maior nos seus gastos e isso também se tem refletido nos gastos com férias, não apenas no fim do ano mas ao longo de todo o ano», frisou o presidente da AHETA.

Questionado sobre a importância da campanha publicitária que o Turismo do Algarve lançou no início de novembro para atrair turistas à região na passagem de ano, o dirigente respondeu que «todas as ações promocionais que tenham em vista captar mais clientes para a região são bem-vindas», mas considerou que é «insuficiente» para contrariar a tendência descrita.

«As campanhas promocionais ou publicitárias tendentes a promover a região junto sobretudo dos mercados interno e espanhol, que são aqueles que nesta altura do ano mais procuram a região, são bem-vindas e espera-se que produzam efeitos, mas isso não põe em causa o que acabei de afirmar», disse.