A agregação de sistemas multimunicipais de distribuição da água em alta no país vai reduzir custos operacionais e, em alguns casos, a tarifa cobrada aos municípios, afirmou esta quinta-feira nas Caldas da Rainha o presidente da Águas de Portugal (AdP).

«Esta agregação de sistemas de água em alta permite poupar custos operacionais, porque quando temos diversas entidades, cada uma com a sua estrutura, e agregamo-las não precisamos de duplicar estruturas e damos-lhe mais eficiência», afirmou Afonso Lobato Faria à agência Lusa.

A fusão das empresas vai «tornar mais justo o preço que o cidadão português paga pela água e pelo saneamento e contribui para sinergias», que vão «reduzir custos operacionais e tornar as tarifas mais equitativas», referiu.

As alterações a implementar ainda este ano, apontou, incluem a criação de três novas empresas, que ficarão responsáveis pela captação, tratamento e venda de água às autarquias (Águas do Norte, Águas do Centro Litoral e Águas de Lisboa e Vale do Tejo) e que resultam da fusão dos sistemas multimunicipais de abastecimento.

Um quarto sistema (Águas do Sul), que corresponde a uma parceria Estado-autarquias, deverá ser também criado.

O presidente da AdP afastou, por isso, o cenário de privatização do setor.

Há casos também em que a agregação vai permitir ainda reduzir a tarifa da água cobrada aos municípios, como acontece com a Águas do Oeste, cuja assembleia-geral, onde participou, abordou hoje o assunto, remetendo para o segundo semestre do ano a aprovação da integração na nova empresa por cada uma das assembleias municipais.

«No caso das Águas do Oeste, vai haver uma redução da tarifa. A Águas do Oeste é um dos sistemas que não tem equilíbrio económico-financeiro e, portanto, as agregações são muito bem vistas pelos municípios», disse.

O presidente da Câmara de Torres Vedras e da Comunidade Intermunicipal do Oeste, Carlos Miguel, adiantou à Lusa que está em cima da mesa uma «redução da tarifa na ordem dos 10%».

«Se à partida é favorável a redução da tarifa, há uma grande apreensão com a capacidade de resposta e com a gestão de um sistema com esta grandeza, com tantos sistemas e tantos municípios integrados, em realidades muito diferentes», alertou.

As empresas Águas do Oeste, SIMARSUL, SIMTEJO, SANEST, Águas do Zêzere e Coa, Águas do Centro, Águas do Norte Alentejano, Águas do Centro Alentejo e EPAL vão fundir-se num único sistema, com quase uma centena de municípios acionistas.

A nova empresa será designada de Águas de Lisboa e Vale do Tejo e abrangerá concelhos dos distritos de Lisboa, Leiria, Setúbal, Castelo Branco, Guarda, Coimbra, Santarém, Portalegre e Évora.

A Águas do Oeste é detida pela Águas de Portugal (51%) e pelos municípios de Alcobaça, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Bombarral, Cadaval, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Peniche, Rio Maior, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras (49%).