A Comissão de Trabalhadores (CT) dos Estaleiros de Viana garantiu que continua a contestar o encerramento e subconcessão da empresa, prometendo para «um futuro próximo» novas ações de protesto.

A posição foi assumida pelo coordenador da CT dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), após novo plenário de trabalhadores que pretendia fazer um «esclarecimento» do momento atual.

«No futuro próximo o senhor ministro da Defesa irá saber o que é que os trabalhadores irão fazer relativamente à defesa dos seus postos de trabalho e dos ENVC», afirmou António Costa.

Questionado pelos jornalistas no final deste plenário, o coordenador da CT não concretizou o que pode vir a ser feito pelos trabalhadores, garantindo apenas que «há outras ações de luta» que ainda podem «encetar».

«Temos de continuar a lutar pelos nossos postos de trabalho», enfatizou.

Este plenário surge numa altura em que sindicalistas, mandatados pelos trabalhadores dos ENVC para contactos com a tutela, e CT têm vindo a trocar acusações, dada a negociação que foi adotada, justificada pelo sindicato para tentar «minimizar» os «efeitos sociais» do fecho dos ENVC.

A nova versão do plano social para rescisão amigável dos contratos de trabalho, que recebeu os contributos dos representantes sindicais afetos à CGTP, está agora em vigor até 21 de fevereiro, depois de renegociado com a administração dos ENVC e com o ministro da Defesa Nacional.

Entretanto, os mesmos representantes sindicais já se reuniram com a administração do novo subconcessionário, o grupo Martifer, para confirmar como será o processo de recrutamento para a nova empresa West Sea e a anunciada prioridade a dar aos trabalhadores dos ENVC.

«A partir de terça-feira será disponibilizada, por escrito, informação aos trabalhadores sobre esses contactos», explicou à Lusa fonte da União de Sindicatos de Viana do Castelo (USVC), que, a par do Sindicato dos Metalúrgicos e dirigentes sindicais dos estaleiros, tem conduzido o processo negocial.

Em plenário realizado a 27 de janeiro, os trabalhadores dos ENVC aprovaram uma moção autorizando o movimento sindical a encetar contactos com a administração do grupo Martifer, e com o Ministério da Defesa.

Por seu turno, a CT acusa estes representantes sindicais de não seguirem as orientações da intersindical sobre a empresa.

«Nós, trabalhadores, ficámos completamente estupefactos com a atitude dos dirigentes sindicais nas reuniões que eles tiveram com o ministro da Defesa», afirmou anteriormente o coordenador da CT, garantindo que os sindicalistas estavam apenas mandatados para contactos informais.