O anteprojeto da reforma do IRC, que recai sobre as empresas, está em discussão até meados do próximo mês e, ao contrário do que se espera, pode não beneficiar o emprego e o crescimento. Apesar de o Executivo acreditar nos benefícios desta reforma, não são apresentadas estimativas que o sustentem.

De acordo com a edição desta terça-feira do «Jornal de Negócios», baixar o IRC, alterando a tributação das empresas, pode ser o ponto de partida para relançar a economia nacional. Esta é, pelo menos, a convicção do Governo de Passos Coelho que quer avançar com uma reforma relativa a este imposto.

Mas menos IRC reflete-se na diminuição da receita fiscal, tanto no próximo ano, como nos seguintes. Só em 2014, entrarão menos 307 milhões de euros nos cofres do Estado.

Ora, este anteprojeto pode, assim, não vir a ter os benefícios esperados. Por um lado porque não estão assegurados o crescimento e o emprego, sendo que não está «disponível um modelo estatístico (...) face a esta potencial baixa de taxa», explicou o economista António Martins, reforçando que deve existir «prudência» já que as perspetivas «são muito problemáticas e de elevada incerteza».

Os especialistas não duvidam de que o alívio fiscal das empresas é imprescindível para aumentar a competitividade da economia, mas não sabem se esta será a forma mais adequada de o conseguir.