O corte das pensões da Caixa Geral de Aposentações (CGA) que o Governo está a negociar com os sindicatos da função pública vai afetar também as pensões que já estão em vigor, ou seja, tem efeito «retroativo», afirmou Helena Rodrigues, do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), após uma reunião com o secretário de Estado da Administração Pública.

De acordo com a sindicalista, a proposta do Governo contempla a «retroatividade e só para a CGA», ou seja, só para os funcionários públicos.

Helena Rodrigues admitiu que não é conhecido o valor do corte, porque o mesmo será indexado ao crescimento económico, ou seja, se a economia crescer, parte do valor cortado pode ser reposto.

Lembrando que «o Governo tem maioria absoluta e fará passar as suas propostas», a sindicalista confirmou que é objetivo do Governo ter o dossier da reforma da Administração pública fechado até setembro, altura em que a missão da troika regressa a Lisboa para a oitava e nona avaliação do programa de ajustamento português.

Para convencer os sindicatos da necessidade destas medidas, o Governo recorreu até ao fantasma da Grécia. «Tivemos até o exemplo daquilo que a Grécia estaria a sofrer muito brevemente», disse Helena Rodrigues aos jornalistas após a reunião com Hélder Rosalino. «Sentimos que o cenário é negro», admitiu, recusando usar a palavra «ameaça» mas acrescentando que «há o colocar em cima da mesa situações menos vantajosas, como aquilo que a Grécia está a passar».

Helena Rodrigues mostrou-se ainda preocupada, temendo que os cortes não fiquem por aqui. Tudo o que já foi cortado «pelos vistos não chega. O que nos preocupa é saber quando é que chega? E o que é que teremos no final? Teremos serviços públicos? Teremos um país?», questionou.

A Fesap já admitiu recorrer aos tribunais para travar a medida que a Frente Comum chamou de «roubo».