Inúmeras contas de familiares em primeiro grau dos administradores do Banco Espírito Santo (BES) estão congeladas desde segunda-feira.

Segundo o «Expresso», nestas contas bloqueadas, que serão dezenas, há mães com mais de 80 anos e netos com menos de dez.

Leia aqui o comunicado do Banco de Portugal

«As responsabilidades do BES perante terceiros que constituam passivos ou elementos extrapatrimoniais deste serão transferidos na sua totalidade para o Novo Banco, SA, com exceção dos seguintes (.)os cônjuges, parentes ou afins em 1.º grau ou terceiros que atuem por conta das pessoas ou entidades referidos nas alíneas anteriores», lê-se no comunicado do regulador.

Isto quer dizer que as contas de maridos e esposas, mães, pais, filhos, filhas e até netos podem estar perdidas, uma vez que foram transferidas para o 'banco mau', o banco que resultou da divisão do BES e que ficou com os ativos tóxicos.

O BES, tal como era conhecido, acabou este fim-de-semana, com o Banco de Portugal a criar o Novo Banco, que fica com os ativos bons e recebe 4.900 milhões de euros, e a colocar os tóxicos num 'bad bank'.

O capital é injetado no Novo Banco através do Fundo de Resolução bancário, criado em 2012, para ajudar a banca a resolver os seus problemas. Como este fundo é recente e só tem 380 milhões de euros, a solução encontrada passa por ir buscar o valor restante ao dinheiro da troika destinado ao setor financeiro - estão disponíveis 6,4 mil milhões de euros - e cerca de 100 milhões poderão vir ainda de uma contribuição extraordinária dos outros bancos do sistema.

Já os ativos problemáticos do BES, caso das dívidas do Grupo Espírito Santo e a participação maioritária no BES Angola, ficam no chamado 'bad bank' ('banco mau').