A Associação de Defesa do Consumidor Deco, em comunicado, adianta que pediu aos presidentes dos grupos parlamentares a abertura de um inquérito para apurar «os atos» adotados pelo Governo e pela administração do Banco Espírito Santo (BES) no tocante à insolvência técnica da instituição e à falta de garantias em relação aos consumidores.

A Deco exige que sejam apuradas responsabilidades, tanto da administração do banco como dos auditores, do próprio ministério das Finanças e do Presidente da República e, também, das entidades supervisoras, como o Banco de Portugal.

Para a Associação de Defesa do Consumidor «as falhas de gestão e de transparência que envolveram o caso BES são desastrosas» e não devem ser os pequenos investidores a pagar pelos erros que não cometeram.

«A falência inesperada do BES deixou centenas de consumidores sem uma boa parte das economias que amealharam durante anos», relembra a Deco, salientando que chegaram à associação mais de 1000 queixas e pedidos de ajuda, quer dos «depositantes que viram as suas poupanças transferidas sem percalços para o Novo Banco, quer dos pequenos investidores, cujos ativos ficaram na posse do antigo BES e dificilmente serão recuperados.»

A associação de consumidores anunciou ainda ter disponibilizado na página da internet um formulário de «denúncia para pequenos acionistas e investidores lesados» pelo BES, e uma linha de apoio financeira (808 200 147 ou 21 418 789). O objetivo passa por reunir dados que permitam encontrar o melhor caminho para defender destes consumidores.

A Deco continua sem perceber como é que, de acordo com as contas apresentadas pela própria instituição bancária, no espaço de dois ou três dias, o BES tenha passado de um valor contabilístico de 4,2 mil milhões de euros para um buraco financeiro ainda por calcular.