Os cortes temporários dos salários no BCP começarão a ser aplicados em julho, depois da publicação, esta segunda-feira, da portaria de extensão que alarga o acordo entre os sindicatos e o banco aos trabalhadores não sindicalizados.

A portaria de extensão foi publicada em Diário da República para entrada em vigor no quinto dia após a sua publicação, mas em declarações à agência Lusa, fonte do BCP esclareceu que os cortes só serão operacionalizados em julho.

Depois da publicação em Diário da República, explicou a fonte, esta portaria tem ainda de ser publicada no Boletim do Trabalho e Emprego, o que se espera que ocorra ainda esta semana, pondo-se assim fim «a um longo processo» negocial entre os sindicatos da Federação Sindical do setor Bancário (FEBASE) e da Federação dos Sindicatos Independentes da Banca (FSIB) e a administração do BCP.

O plano de reestruturação que o BCP acordou com Bruxelas, depois de Estado ter injetado 3.000 milhões de euros no banco para o recapitalizar, prevê a redução do número de trabalhadores em Portugal para 7.500 até final de 2017 e o corte de cerca de 135 milhões de euros nos custos com pessoal.

Com vista a evitar despedimentos, no final de 2013, a administração do BCP e os sindicatos chegaram a acordo para um corte temporário dos salários (entre os 3% e os 11%) a todos os trabalhadores com remunerações acima dos mil euros brutos mensais.

Os cortes, de acordo com o BCP, mantêm-se em vigor até à devolução das obrigações subordinadas convertíveis em ações (CoCo), «no máximo em 2017».

A forma como o banco irá devolver os cortes aos trabalhadores nessa altura ainda será discutida e aprovada em assembleia-geral.

Além dos cortes de salários, o BCP continuará a levar a cabo processos de rescisões amigáveis e reformas antecipadas.

«Trata-se de uma solução atípica e inovadora, na medida em que protege o maior número de postos de trabalho», destacou a fonte do BCP, referindo que a medida está a ser usada em 'case studies' noutras instituições (internas e externas) para demonstrar que «é possível proteger empregos».