O Banco Central Europeu (BCE) reúne-se esta quinta-feira para tomar decisões sobre as taxas de juro de referência, que se encontram em níveis historicamente baixos, quando a situação política em Portugal marca a atualidade.

A taxa de juro para as principais operações de refinanciamento, o mecanismo ao abrigo do qual o BCE fornece a maior parte da liquidez ao sistema bancário, foi reduzida de 0,75% para 0,50% ainda em maio.

Na mesma altura foi também aplicado um corte de 0,5 pontos percentuais na taxa de juro da facilidade permanente de cedência de liquidez (através da qual fornece liquidez de muito curto prazo aos bancos, empréstimos ¿overnight¿), que passou de 1,50% para 1%.

A taxa de juro que remunera os depósitos feitos pelas instituições financeiros junto do banco central está nos 0% atualmente, e o BCE já admitiu a possibilidade de baixar esta taxa para valores negativos, de forma a penalizar o dinheiro parqueado no BCE pelos bancos e, assim, tentar obrigá-los a emprestar.

Ainda esta semana foram conhecidos dados que dão conta de uma continuação da contração na Europa, o que pode aumentar a pressão sobre o presidente da instituição para agir.

O índice composto Markit PMI para a zona euro subiu apenas para 48,7, dos 47,7 pontos registados em maio, indicando uma recessão na zona euro pelo sétimo trimestre consecutivo.

A situação política em Portugal pode ser outro dos temas quentes em cima da mesa, nos esforços do BCE para combater a crise, mas também como membro da ¿troika¿ e por ter comprado dívida pública portuguesa no mercado secundário, que tem agora no seu balanço.

Vários membros do BCE já deram a entender, entretanto, que nem tudo se resolve com descidas das taxas de juro e mesmo que os seus impactos seriam muito limitados, demonstrando alguma relutância em voltar a cortar taxas que se encontram em níveis muito baixos desde o início da crise.