Pode não associar, mas as decisões do Banco Central Europeu têm influência na sua carteira. Se tem um empréstimo à habitação, o alívio da taxa de juro de referência de 0,15% para o mínimo histórico de 0,05% pode vir a traduzir-se num alívio até 5 euros na prestação da sua casa.

Como? Se a Euribor a seis meses - a mais comum no crédito à habitação, e que agora está em 0,250% - acompanhar realmente a descida de 0,1% da taxa de referência do BCE, o seu mealheiro vai ficar mais cheio.

Nada como ilustrar: até hoje, com base nesse valor da Euribor a seis meses, para um casal que contraísse um empréstimo de 100.000 euros ao banco para comprar uma casa de 150 mil, com um spread de 1%, o valor da prestação mensal era de 471 euros.

Ora, com as mesmas condições, mas se a Euribor a seis meses emagrecer tanto como os juros de referência do BCE (a acontecer, descerá dos tais 0,250% atuais para 0,150%), aí o valor mensal a pagar ao banco será de 466 euros.

Contas feitas, uma redução de cinco euros.

Alívio só quando contrato for revisto

O BCE já baixou a sua taxa diretora seis vezes desde 2012 e a tendência dos últimos tempos tem vindo a ser de queda no valor das prestações da casa. Os contratos revistos em setembro vão pagar menos, mas com a decisão de hoje do regulador da banca europeia, as famílias portuguesas poderão vir a poupar ainda mais alguns trocos ao final do mês.

Tudo depende, no entanto, de quando o contrato vai ser revisto da próxima vez. Há quem possa contar com o alívio entretanto, ou quem tenha de aguardar um pouco mais, esperando que o BCE mantenha este estímulo à economia.

Basicamente, o valor da taxa de referência fixada pelo BCE é o preço que os bancos pagam pelos empréstimos contraídos junto da instituição. Um valor que influencia a definição das taxas de juros que os bancos aplicam, depois, às famílias que lhes pedem empréstimos.