O governador do Banco de Portugal aconselha os investidores a avaliarem bem os riscos antes de subscreverem produtos financeiros de remunerações elevadas, lembrando que elas acarretam também riscos altos.

Carlos Costa, que falava na abertura da 1ª Conferência Internacional do Plano Nacional de Formação Financeira, organizada pelo Conselho Nacional de Supervisores Financeiros, disse que «há uma tendência dos aforradores em olharem para a remuneração e não para o risco. Os supervisores têm de lembrar que não há remunerações sem risco associado. Se os aforradores querem maior segurança têm que aceitar menor remuneração. Uma remuneração elevada tem um risco».

Os investidores que quiserem correr riscos, diz, devem ter «capacidade de acomodar» as perdas no caso de alguma coisa correr mal.

Defendendo que é preciso mais formação financeira para que os investidores estejam melhor informados, o governador sublinhou também que é igualmente necessário assegurar que quem emite os produtos dá conta da informação e dos riscos de forma transparente.

Ao alerta de Carlos Costa juntou-se também o de Carlos Alves, do conselho diretivo da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que considerou que a informação é essencial para que os investidores tenham «conhecimento das implicações» das suas decisões.

«O conteúdo e o modo de informação da divulgação também tem de ser melhorado, só informação não chega», afirmou.

A partir de hoje, a CMVM tem um simulador que permite avaliar os custos e rentabilidade de subscrever obrigações de empresas. «O simulador permitirá calcular para uma emissão obrigações a taxa interna de rentabilidade líquida, as comissões, os juros a receber e os custos a suportar», explicou.

Por fim, o presidente do Instituto de Seguros de Portugal (ISP), José Almaça, destacou que em Portugal há uma «informação financeira deficiente», pelo que a formação financeira é de «grande importância» para a tomada de decisões informadas e conscientes.

O responsável por este regulador disse mesmo que a formação financeira não é só importante para os investidores, mas tem impacto em toda a economia.

«O reforço da literacia financeira dos consumidores não tem uma utilidade puramente microeconómica, ao racionalizar [o investimento] a afetação de recursos será feita forma mais adequada e eficaz», sublinhou o presidente do ISP.