Apenas 17% das grandes empresas japonesas planeiam aumentar salários no próximo ano fiscal, que se inicia em abril, apesar dos apelos do Governo que procura um aumento dos vencimentos para que o consumo não recue.

Uma sondagem publicada hoje pela agência Kyodo mostra que 18 das 104 empresas inquiridas preveem efetuar uma atualização salarial, com 71% a acreditar num crescimento da economia japonesa em 2014.

Realizada durante a primeira quinzena de dezembro, a sondagem revela que a maioria das grandes empresas do país mostra-se cautelosa perante as subidas salariais propostas pelo Governo do primeiro-ministro, Shinzo Abe.

O executivo nipónico incentivou o tecido empresarial a aumentar os ordenados, prometendo medidas de apoio para aquelas que o fizerem, com o objetivo de mitigar o impacto negativo que pode ter no consumo a subida do IVA, aprovada para abril.

O aumento do imposto - de 5 a 8% - constitui, segundo o Governo, uma medida necessária para revitalizar as finanças do país, cuja dívida pública equivale a mais do dobro do seu Produto Interno Bruto (PIB), a maior do mundo desenvolvido.

Na sondagem levada a cabo pela Kyodo, muitas das empresas consultadas disseram, contudo, não descartar a possibilidade de aumentar salários em linha com uma subida das receitas durante o próximo ano fiscal que se inicia em abril no Japão.

Apenas uma empresa disse que o seu plano para 2014 passa antes por reduzir o salário dos seus funcionários.

Relativamente ao estado da economia japonesa, 101 empresas indicaram que se vive uma «tendência de crescimento», contudo, reconheceram estar preocupadas com o impacto negativo que a subida do imposto sobre o consumo pode implicar.

Quase 40% das empresas reconhecem temer que se verifique uma queda nas vendas devido a uma redução do poder de compra dos consumidores.

No que toca à constante depreciação do iene frente ao dólar - no último ano foi de 22% -, muitas empresas reconheceram que são favorecidas quando o dólar é trocado entre as 95 e as 105 unidades.

No entanto, a maioria das empresas japonesas alertaram, por outro lado, que uma excessiva depreciação da moeda local supõe o encarecimento das importações de materiais e combustível.

Após chegar ao poder, em dezembro de 2012, o primeiro-ministro, Shinzo Abe, colocou em marcha um ambicioso plano de crescimento conhecido como Abenomics, que assenta em fortes políticas de estímulo e em agressivas medidas de flexibilização monetária.