Ano Novo, preços novos…ou não. 2015 não será, em comparação com os anos anteriores, marcado pelo forte agravamento dos preços. E porquê?

A taxa de inflação justifica este «alívio» na carteira dos portugueses. Segundo as últimas previsões, a taxa deverá ficar nos 0% este ano e nos 0,7% no ano que vem.

A ajudar ainda às economias familiares está a reversão de 20% dos cortes salariais na função pública e o fim da contribuição extraordinária de solidariedade sobre as pensões.

E afinal, que preços vão manter-se e que aumentos são expectáveis em 2015?

O preço do pão deve manter-se o mesmo na maioria dos estabelecimentos em 2015, apesar de que terá de ser a indústria, uma vez mais, a arcar com os custos, nomeadamente devido à subida do salário mínimo e também do custo da energia. António Fontes, presidente da direção da Associação dos Industriais de Panificação do Norte, sublinha à TVI que cabe a cada empresa decidir se irá ou não aumentar o preço, e antecipa: «É possível que algumas empresas o façam, até porque há muitas que estão a vender o pão a um preço muito baixo. Mas cada um decidirá».

O preço do leite também deverá manter-se em 2015. Paulo Leite, diretor-geral da Associação Nacional dos Industriais de Laticínios, sublinha que setor viveu um ano difícil, depois do fim das quotas leiteiras e da estagnação do consumo, mas ainda assim acredita que, pelo menos no primeiro semestre, não haverá mudanças nos preços.

Em casa, saiba que a fatura da eletricidade vai subir 3,3%, para os 2,5 milhões que ainda fazem parte do mercado regulado. Este é o maior aumento desde 2012.

Já o gás também deverá aumentar no mercado regulado. Recorde-se que para «incentivar» os consumidores a aderir ao mercado liberalizado do gás e eletricidade, a Entidade Reguladora revê as tarifas trimestralmente e propõe ao Governo o próximo aumento, que será conhecido em janeiro.

Na hora de passear ou de ir para o trabalho, e apesar do preço dos combustíveis ter vindo a descer nas últimas semanas, os impostos que advêm do Orçamento de Estado para 2015 vão agravar o preço do gasóleo e da gasolina. Certo é um aumento de quatro cêntimos por litro no gasóleo e na gasolina. Resta saber quanto custará aos condutores a incorporação dos biocombustíveis que os operadores vão ter de fazer.

Os transportes públicos e as portagens vão manter os preços de 2014. Isto porque a taxa de inflação assim o permitiu. O mesmo vai acontecer com a renda da casa.

Se tiver que ir ao hospital, as taxas moderadoras registam, no próximo ano, uma queda ligeira, em cinco cêntimos. Outra boa notícia é que os medicamentos comparticipados e os medicamentos prescritos pelo médico de família ficarão mais baratos.

Alguns «vícios» também vão ficar mais caros: apesar do preço dos cigarros convencionais não sofrer alteração, o preço dos cigarros eletrónicos vai subir. A taxa sobre o líquido que contém nicotina será de 60 cêntimos por mililitro. O tabaco de enrolar também deverá aumentar.

Também as bebidas alcoólicas ficam mais caras em 2015, por causa de um imposto previsto no Orçamento do Estado de 2015. No caso da cerveja, o aumento pode ir até aos 3%, o mesmo aumento que terão as bebidas espirituosas.