Os bancos pagaram 434,1 milhões de euros ao Estado, no ano passado, em juros pelo dinheiro público injetado nas instituições e ainda 127,1 milhões de euros do imposto extraordinário sobre a banca.

Segundo o a síntese da execução orçamental de 2013, hoje divulgada pela Direção-Geral do Orçamento (DGO), os bancos que receberam dinheiro do Estado para se recapitalizarem pagaram 3,4 milhões de euros de juros em março, 204,3 milhões de euros em julho, 19,9 milhões de euros em agosto e 206,5 milhões de euros em dezembro, totalizando 434,1 milhões de euros em 2013.

Este valor é quase o dobro dos 218 milhões de euros pagos pelos bancos em 2012, pelo mesmo motivo.

Em 2013, além do valor pago em juros, os bancos pagaram 127,1 milhões de euros pela contribuição extraordinária sobre o setor bancário, abaixo dos 140,4 milhões de euros do ano anterior.

Para aumentar o capital dos bancos, o Estado fez injeções de dinheiro no BCP, Caixa Geral de Depósitos, BPI e Banif, através sobretudo da compra de obrigações subordinadas de conversão contigente , dívida que pode ser transformada em ações em determinadas circunstâncias), pelo que as instituições estão obrigadas a pagar regularmente juros sobre estes instrumentos.

Em junho de 2012, o Estado injetou 3.000 milhões de euros no BCP e 1.500 milhões no BPI, valor que este banco tem vindo a recomprar ao Estado, tendo reduzido para 920 milhões de euros o montante das obrigações subordinadas nas mãos do Estado.

O Estado injetou ainda 1.650 milhões de euros na CGD, sendo

750 milhões de euros em ações e 900 milhões de euros.

Já em janeiro de 2013, injetou mais 1.100 milhões de euros no Banif, com o Estado a tornar-se acionista maioritário.

Quanto ao imposto extraordinário sobre a banca, este foi lançado em 2011 ainda no Governo PS de José Sócrates e tem vigorado desde então, apesar das críticas dos banqueiros por este não depender dos resultados dos bancos, mas do seu passivo.

Para este ano, o Governo aumentou a contribuição extraordinária sobre a banca, pelo que esta deverá render mais 50 milhões de euros aos cofres estatais, para um total de 170 milhões, segundo as estimativas do Orçamento do Estado de 2014.