A General Electric Power vai despedir 200 pessoas em Setúbal. A multinacional norte-americana anunciou esta terça-feira uma "reestruturação global do seu negócio de energia" e, em todo o mundo, vai despedir 12.000 pessoas, segundo a AFP. Também foi hoje, a duas semanas do Natal, que a notícia chegou aos trabalhadores. 

A decisão tem por base a "queda substancial" da procura de unidades de produção termoelétrica de energia nos vários países. Há uma "estagnação global do negócio de energia, nomeadamente em regiões como a Europa Ocidental, que registam um declínio acentuado", lê-se em comunicado. A fábrica de Setúbal produz caldeiras. 

Em Portugal, no quadro da proposta apresentada antecipa-se um impacto, principalmente, nas atividades da unidade de Setúbal, incluindo uma redução de cerca de 200 postos de trabalho".

O diretor de recursos humanos da General Electric para Portugal, Pedro Estrela, é citado no comunicado dizendo que eestas mudanças são necessárias para garantir que a General Electric permaneça competitiva, assegurando o futuro do negócio da energia”, pautado por uma "concorrência feroz e pressões contínuas de redução de preços". 

Estas propostas não se fazem de ânimo leve e entendemos que este anúncio será difícil para muitas pessoas"

 

O volume de negócio baixou significativamente em produtos e serviços. Esta situação é motivada pelo excesso de capacidade existente, por uma utilização mais reduzida, pelo decréscimo de quebras, pelo aumento do fecho de centrais de vapor e pelo crescimento geral nas energias renováveis.  

O comunicado emitido pela empresa adianta que foi "iniciado um processo de consulta" com os representantes dos funcionários a nível europeu, através de um mecanismo europeu para garantir um tratamento igual e equilibrado dos processos entre todos os países envolvidos.

A TVI24 apurou que o processo deverá levar meses a ter um desfecho, pelo que não há uma data definida para os despedimentos serem postos em prática.

O responsável em Portugal dá conta, no mesmo comunicado, de que as propostas foram partilhadas hoje com os representantes sindicais. "Vamos agora iniciar um período de consulta antes de tomarmos qualquer decisão definitiva”.

Veja também:

Suíça, Alemanha e Reino Unido também afetados

A empresa tem outras áreas de negócio em Portugal e em Espanha, ligadas a motores para aviação, sistemas de iluminação e a soluções e serviços para o setor da saúde. Tem presença em mais de 100 países, onde emprega cerca de 295.000 pessoas.

Na Europa, cerca de 4.500 pessoas deverão perder o seu emprego. Os mercados da Suíça, da Alemanha e do Reino Unido também estão entre aqueles que serão alvo de despedimentos: no primeiro caso poderá chegar a quase um terço da força de trabalho (1.400 pessoas); no segundo, 16% do total de trabalhadores (ou seja, à volta de 1.600 pessoas); no terceiro serão 1.100 postos de trabalho. 

A empresa quer chegar a uma redução de custos de mil milhões de dólares em 2018. Tudo porque "os mercados de energia tradicionais, incluindo gás e carvão, abrandaram". 

A GE pretende sair dos setores da iluminação, do transporte, das soluções industriais e das empresas de rede elétrica. Também planeia abandonar a sua participação de 62,5% na empresa de serviços de petróleo Baker Hughes.