O Banco de Portugal está a pedir às instituições financeiras que mantenham "os esforços de redução dos custos", nomeadamente através do fecho de balcões e redução de trabalhadores, para que voltem à rendibilidade.

"É essencial que as instituições prossigam o ajustamento iniciado durante a crise económica e financeira, mantendo os esforços de redução dos custos adicionais e ajustando o modelo de negócio, para aumentar, de forma sustentável, os níveis de rendibilidade", lê-se no Relatório de Estabilidade Financeira, que foi divulgado esta terça-feira. Isto numa altura em que houve um corte de 15% dos balcões e de 13% no quadro de pessoal das instituições financeiras de 2013 para 2014.

A rendibilidade dos bancos "tem sido afetada de forma significativa desde o começo da crise financeira, em resultado de uma redução da atividade, de níveis de imparidade historicamente altos", entre outros fatores, pelo que, em termos estruturais, o sistema bancário "tem-se concentrado na redução dos custos operacionais e administrativos e na reforma dos modelos de negócio".


O supervisor bancário exige, por isso, "um ajustamento adicional" num contexto "de continuação da desalavancagem e de níveis moderados de atividade económica", cita a Lusa.

Além disso, o BdP alerta que a manutenção de baixas taxas de juro e de retorno poderá incentivar as instituições financeiras a tomarem "riscos excessivos, com o objetivo de melhorarem a rendibilidade". Ou seja, tal "levanta preocupações de estabilidade financeira na medida em que pode levar, no médio prazo, a uma deterioração do perfil de risco das respetivas carteiras de ativos, pressionando a sua posição de solvabilidade".

A urgência de os bancos voltarem a ter rendibilidade tem ainda o desafio de baixas taxas de juro. "Os baixos níveis de rendibilidade poderão, no limite, dificultar a atividade de intermediação financeira, em particular no caso de haver uma acumulação de prejuízos significativos", segundo o documento.

A generalização deste fenómeno, "num contexto de acesso condicionado aos mercados, poderá ter consequências sistémicas".

Entre os maiores riscos que a banca portuguesa enfrenta, adverte ainda o relatório, estão a  exposição "significativa" a Angola e ao imobiliário.