O Sindicato Nacional dos Profissionais de Seguros e Afins (SINAPSA) aponta para a «ilegalidade» do despedimento coletivo promovido pela Axa Portugal que afeta 67 trabalhadores, denunciando o encerramento dos postos de trabalho de vários funcionários.

«Hoje, muitos dos trabalhadores que tinham sido chamados pela administração da Axa Portugal no âmbito deste processo, chegaram aos seus postos de trabalho e até o computador já lhes tinha sido retirado», afirmou à agência Lusa José Manuel Jorge, dirigente sindical do SINAPSA.

Segundo o responsável, houve mesmo casos em que os estabelecimentos foram encerrados sem o conhecimento prévio dos trabalhadores, que se depararam com surpresa esta manhã com um letreiro que indicava o fecho do seu local de trabalho.

«A administração da Axa viola a lei no despedimento coletivo que está a promover de 67 trabalhadores, até porque não ouviu, previamente, a Comissão de Trabalhadores, como estava obrigada pelo Código de Trabalho», salientou.

Quanto ao fecho de estabelecimentos da seguradora, José Manuel Jorge apontou para um «comportamento punido criminalmente», já que «a administração fez 'lockout' [paralisação realizada pelo patrão com o objetivo de exercer pressões sobre os trabalhadores] ao encerrar estabelecimentos, locais de trabalhou ou ao obstar, unilateralmente, a prestação de trabalho».

Por tudo isto, o SINAPSA defende a anulação do despedimento coletivo, por violar a lei, e «abrir um procedente perigoso, não só para a empresa, mas para todo o setor».

E agendou para sexta-feira, dia 10 de abril, pelas 16:45, na Avenida do Mediterrâneo, no Parque das Nações, em Lisboa, sede da companhia seguradora, uma concentração.

O objetivo é reclamar a ilegalidade do despedimento coletivo promovido pela Axa Portugal, exigir a abertura dos locais de trabalho encerrados pela administração e o regresso ao trabalho dos funcionários afetados.

Na terça-feira, a Axa Portugal disse que o processo de despedimento coletivo, denunciado por um sindicato, «afetará cerca de 60 pessoas» e consiste numa «difícil decisão» justificada com o «declínio da rentabilidade» do setor.

«Como é do conhecimento comum, o contexto económico difícil em Portugal nos últimos anos provocou um claro declínio da rentabilidade do mercado segurador português. Não sendo alheia a este contexto, a Axa Portugal está a tomar um conjunto de medidas de gestão, ao nível da reestruturação da distribuição e da agilização do modelo organizativo (mais transversal e menos hierárquico) e de processos, que afetará cerca de 60 pessoas, equivalente a cerca de 10% do total dos colaboradores da empresa», sublinhou a empresa em comunicado.

Antes, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Atividade Seguradora (STAE), Carlos Marques, havia revelado que a Axa Portugal estava a avançar para um despedimento coletivo de 67 pessoas devido ao «encerramento de balcões, supressão de postos de trabalho únicos e uma avaliação de desempenho negativa» de vários funcionários.