O Metropolitano de Lisboa assegurou esta quarta-feira que as condições de segurança dos utentes estão salvaguardadas, explicando que o sistema de segurança e condução foi desmantelado há cinco anos por estar «obsoleto» e exigir um investimento avultado.

Em comunicado enviado à Lusa, a propósito das notícias avançadas terça-feira sobre o desmantelamento pelo Metropolitano de Lisboa de um sistema de segurança e condução automática que custou 20 milhões de euros, contra pareceres internos, a empresa garantiu que a «segurança dos clientes e colaboradores está naturalmente salvaguardada».

«A empresa tem-se pautado sempre pelo cumprimento dos principais e mais exigentes padrões de segurança, pelo que lamenta as notícias publicadas», adianta o texto.

O Jornal de Notícias adiantou terça-feira que o Metropolitano de Lisboa mandou retirar um sistema inteiro de segurança e condução automática das composições, que dispensava a intervenção direta do condutor.

O jornal destacou ter tido acesso a vários documentos, cedidos por fontes ligadas ao metro, nos quais se alertava para as questões de segurança e para o facto de esta estrutura de transportes estar a tornar-se obsoleta.

No comunicado desta quarta-feira, a empresa explicou que «o sistema ATP/ATO nunca atingiu a performance prevista, estava obsoleto e vinha dando muitos problemas de desenvolvimento, quando, há cerca de 5 anos, foi desativado».

«Por esse motivo, aliás, teve de ser desligado durante vários períodos antes de ser completamente desativado aquando do prolongamento da Linha vermelha ao Aeroporto e a S. Sebastião», acrescentou.

De acordo com a empresa, manter o sistema, que revelava ser tecnologicamente obsoleto, implicava um investimento adicional de 22 milhões de euros.

«A opção, na altura, recaiu na instalação de um sistema clássico de sinalização, tecnologicamente atualizado, semelhante ao das três outras linhas, as quais, aliás, apresentam uma carga diária de passageiros muito superior à da Linha Vermelha».

A empresa explica também em comunicado que a manutenção é realizada nas instalações do Metropolitano e envolve «pessoal técnico especializado e instalações e equipamentos adequados para a realização de todos os escalões e atividades».

«Muito se estranha que tendo sido o sistema desativado há cerca de 5 anos, surja agora esta preocupação, com um sistema de segurança desativado e substituído por um sistema de segurança semelhante ao das três outras linhas», destacou ainda a empresa no comunicado.

Na terça-feira, a Federação de Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS) defendeu que estão garantidas as condições de segurança na circulação do Metropolitano de Lisboa, apesar das «políticas de desorçamentação e desinvestimento» seguidas pela administração da empresa.