A Organização Internacional do Trabalho (OIT) disse esta segunda-feira que o combate ao desemprego deve ser prioritário na Grécia, que sem medidas concretas enfrentará uma «crise social prolongada» e apenas em 2038 atingir o nível de emprego anterior à recessão.

«Após seis anos de recessão, a economia grega demonstra sinais de recuperação mas um regresso ao nível de emprego anterior à crise poderá prolongar-se numerosos anos caso não sejam adotadas medidas suplementares», refere a OIT num relatório de mais de 200 páginas intitulado «Empregos produtivos para a Grécia».

Em comunicado, a organização evoca o risco de uma «crise social prolongada».

Segundo a OIT, e admitindo uma progressão do empego anual de 1,3% nos próximos anos, a Grécia apenas poderá garantir em 2038 a quantidade de postos de trabalho perdidos durante a crise, em que «um em cada quatro empregos» desapareceu.

«Mais de 70% dos desempregados procuram emprego há mais de um ano e cerca de metade desde há mais de dois anos, o que coloca questões importantes, como a deterioração das competências e a exclusão social», descreve a organização.

O documento também recorda que a exposição à pobreza, e que se situava pouco abaixo dos 20% antes de 2008, «atinge agora 44% da população».

A OIT preconiza uma estratégia que inclua em simultâneo «medidas de urgência e reformas sociais», como a criação de empregos, cursos de formação para jovens, encorajamento da economia social e solidária, luta contra o trabalho clandestino, créditos dirigidos à pesquisa e desenvolvimento, novas medidas para o financiamento das empresas ou reforço das ligações entre empresas e institutos de pesquisa.

A OIT sugere igualmente uma «melhoria sustentada do nível dos salários» após uma crise que suscitou uma diminuição dos salários na Grécia «como em nenhuma outra parte da Europa».

A taxa de desemprego na Grécia, uma das mais elevadas da Europa, está a recuar lentamente após ter atingido um máximo de 28% em setembro de 2013. As estimativas mais recentes referem que se situava nos 25,9% em agosto.

As projeções também indicam que a Grécia deverá interromper os seis anos consecutivos de recessão, ao registar um crescimento de 2,9% do PIB em 2015.