
O aumento do desemprego no país surpreendeu o Banco de Portugal e a própria troika. Num relatório sobre a economia portuguesa, a instituição liderada por Carlos Costa avisa que os trabalhadores menos qualificados podem não conseguir voltar ao mercado de trabalho. O banco central avisa que é preciso requalificar a mão-de-obra disponível.
No relatório agora publicado, lê-se que o ajustamento da economia pode não ser suficiente para garantir o retorno ao mercado de trabalho daqueles que são menos qualificados. Por isso, é necessário requalificar a mão-de-obra disponível, sublinha o BdP, que deve contar com uma rede de apoio pública eficiente.
O banco central diz que a criação e destruição de emprego tem sido feita à custa de contratos a prazo, que afecta sobretudo os mais jovens. A OCDE revelou entretanto que mais de metade dos jovens desempregados não aparecem nas estatísticas oficiais de emprego porque já desistiram de procurar trabalho.
Consolidação orçamental deve intensificar-se em 2012
Já sobre o sucesso do programa de ajustamento, condição essencial para regressar aos mercados, o BdP alerta que Portugal não depende só de si: há riscos externos que podem atrapalhar o futuro. Mas não é por isso que o esforço de consolidação pode parar e deve até intensificar-se este ano e nos próximos de forma a atingir os objetivos assumidos no programa
A instituição reconhece ainda que os bancos continuam a restringir a concessão de crédito à economia, situação que é muito evidente nas micro e pequenas empresas, mais expostas ao risco.
O relatório sublinha que a desalavancagem da economia deve ser gradual, sem pôr em causa o financiamento das empresas mais produtivas e dinâmicas; e dá nota positiva para as exportações, que levam nota positiva pelo seu crescimento robusto e elevada diversificação de produtos e mercados.
No mesmo documento, o Banco de Portugal sublinha que a Europa ajudará Portugal a regressar ao mercado, desde que o país cumpra o acordo com a troika.